
as cores…

- Que vês de comum nas meninas que namorastes?
- A prudência e harmonia na utilização das cores. Veja a Juliana, por exemplo, que conheci em saia laranja, sapatilhas azuis e óculos de grossas armações brancas. Ou a Quitéria, em seu vestido salmão, e altos saltos verdes.
- A isso chamas de prudência?
- Talvez menos prudência e mais harmonia, decerto. Mas veja que trata-se de certa inteligência no ousar, que diz muito de suas personas.
- O diagnóstico das cores se confirmou no desenrolar dos relacionamentos? De fato, eram mulheres inteligentemente ousadas?
- Uhn… Quitéria tornou-se uma decepção com o tempo. Apesar das calcinhas minimalistas e dos seios impressionantemente rijos, chegou rápido ao vício do ciúme estapafúrdio. Já Juliana, traiu-me. Cedeu o umbigo e a barriga penugeada a uma outra boca, simultaneamente à minha.
- Então, as cores…
- As cores continuam me atraindo, caríssimo. Continuam me atraindo…
wine

devo confessar que muito do publicizado aqui é feito acompanhado ao vinho. afinal, como ensina-nos a santa ceia, os momentos solenes devem vir acompanhados de algum alucinógeno…
Oxigênio.
Vivo em uma cidade provinciana e deveras desidiosa com as artes. Feira de Santana, um agreste município de coronéis e famílias, digamos, nobres. Ou melhor, em itálico e aspas: “nobres”.
Por isso, venho fazer apologia a duas fantásticas iniciativas: a Revista Transa e o Feira Coletivo Cultural. Oxigênio para os pulmões de qualquer desacreditado feirense.
…
- Poucos homens têm essa sensibilidade, inteligência e humor…
- Você acha?
- Sim, e menos ainda têm a coragem romântica de oferecer vinho a uma dama.
- Uhn…
- Mais: a essa hora da noite, nessas circunstâncias, pouquíssimos, ou apenas um, não teria me beijado!
…
Os Braços

Das partes do corpo feminino, os braços são das que mais dizem respeito às qualidades duma mulher. A dureza, a consistência, a cor, a densidade, a penugem existente ou não. Os braços são a expressão da personalidade duma moça, se não mais: são seu próprio corpo resumido.
Não é de estranhar que em Ray, filme que diz a trajetória de Ray Charles, o músico, mesmo cego, entendesse suas pretendentes apalpando-lhes os braços. Tampouco apavora que os escritores antigos promovam os braços a primeira peça de julgamento na beleza feminina.
Os braços, jovens namorados. Observem os braços!
aos dominós, mestre…

Fala-me um velho que encontrei aos dominós numa praça: “arrume-se com alguém, mestre. Em dado momento, farão falta as unhas de carícia em suas costas e os cuidados após os porres. Arrume-se com alguém, ou lhe sobrarão apenas os dominós”.
Bueno!

Hoje tomei suco de limão e comi empadas. Empadas de camarão com catupiry, calabresa apimentada e salmão com rúcula. Bueno!
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