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Idologia

O brasileiro agora idolatra o Alemão. Não o da Fórmula 1, que já se aposentou – e que se era ídolo nosso, era invertidamente. O Alemão é aquele, do Big Brother Brasil, programa da Rede Globo apresentado por Pedro Bial. Porque será que o Alemão tornou-se nosso ídolo? Talvez por ganhar um milhão de reais como prêmio no “BBB”!? Não, isso não… Existem vários milionários por aí, e a maioria deles não são idolatrados. Será então por ser ele loiro, bonito(?) e forte? Que nada. Basta andar, por exemplo, na orla de Salvador de tardezinha, que se vê em média uns quinze galegos desse tipo por minuto, sem nenhum deles ser ídolo nacional.

Há quem diga que Alemão se tornara venerado por conseguir criar um triângulo amoroso dentro da casa, coisa que deixa as mulheres mais atraídas e os homens tendentes a achar que “esse é o cara!”. Não concordo com a tese, pois, Gaguinho, um rapaz que mora na rua aqui de trás, vive com duas mulheres e ainda tem duas ou três ex na rua, que de vez em quando, todos sabem, ele visita mais intimamente. Apesar disso, garanto que ninguém nunca ouviu falar de Gaguinho, a não ser o pessoal do bairro mesmo.

Não conseguindo achar motivos da idolatria no ídolo, analisemos os idólatras: existe uma tese maldosa e conspiratória que diz que a mídia cria ídolos no inconsciente popular, sendo inevitável para mim ou para você adorar o que a tevê, por exemplo, quer que você adore. Por trás dessa hipnose estão interesses vários, que vão do financeiro ao ideológico. Então, nesse caso, se você pensa em não agir como a suposta elite dominante do mundo quer, procure uma tribo de Ianomâmis ou coisa parecida para viver.

Outro viés seria o da chamada Síndrome de Estocolmo:

Síndrome de Estocolmo é um estado particular desenvolvido por pessoas que são vítimas de seqüestro. A síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu captor ou de conquistar a simpatia do seqüestrador [...] pode se desenvolver em vítimas de sequestro, em cenários de guerra, sobreviventes de campos de concentração, pessoas que são submetidas a prisão domiciliar por familiares e também em vítimas de abusos pessoais, como mulheres e crianças submetidas a violência doméstica e familiar

Assim, podemos subentender que o Alemão nos submeteu a algum tipo de degradação (certamente intelectual), e esse mal feito se reverteu em uma admiração pelo sujeito, como mecanismo de defesa. “As vítimas começam por identificar-se emocionalmente com os sequestradores, a princípio como mecanismo de defesa, por medo de retaliação e/ou violência”.

Após tal idologia, perceba-se que a gênese de um ídolo pode estar mais no idólatra que no ídolo propriamente dito, e geralmente é o que acontece – mas não sempre.

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Existem ídolos na blogosfera? Eu acho que sim, mas, felizmente, não fazem parte do hall de ídolos, digamos, alemães: Alexandre Inagaki e Antonio Tabet.

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Um programa na tevê cheio de idolopéias: Ídolos.

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O termo idologia foi cunhado por mim e quer dizer estudo dos ídolos, suas gêneses e características. Faz parte de um surto ideológico gerado por ter que ouvir, no mínimo, umas cinco referências por dia à palavra “alemão”.

Aperitivo aos leitores do Café…

“Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é quem estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não em outra alma. Só em Deus ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. Porque os corpos se entendem, mas as almas não.”

Manuel Bandeira

Reflexões micaretescas

Certamente alguns devem saber que é Micareta em Feira de Santana. Como Brás Cubas, como um morto que contempla de maneira fria o mundo dos vivos, observo que os seres humanos foram dominados pelo sexo. A grande preocupação das pessoas é arranjar uma transadinha aqui, outra ali… No Micareta (similarmente ao carnaval) todos assumem com despudor esta condição, e eis que as moças rebolam furiosamente os quadris, atraindo os olhos machos como um imã. Eles, então, exigem delas uma contrapartida para a provocação: quando nada um beijo obsceno, daqueles que as línguas se entrelaçam em público, tais quais duas serpentes.

Em cada canto da festa, lá está ao menos um casal, em estado de fricção, doidos os dois por expelir todo o gozo reprimido, os gritos e gemidos contidos pela seriedade falsa que lhes impõem a sociedade ordinariamente. Coxas, bundas, músculos, peitos, barrigas… Somos canibais de nós mesmos, e o que ansiamos constantemente é comer-mos uns aos outros, num bacanal incrível. Também comemos a nós mesmos, na masturbação, que para mim é a grande metáfora da nossa época. A autofagia da punheta, a ilusão no se devorar é o nosso tempo explícito.

Charles Darwin, ressuscitando, não se tolheria em reafirmar nosso destino aqui na Terra: a perpetuação da espécie. Vivemos um tempo que faz apologia ao prazer, e incondicionalmente estamos sempre excitados, bebendo, comendo, ejaculando. Penso que devíamos chorar mais, sofrer mais. Contudo, obviamente, é mais fácil trepar do que pensar; essa será a nossa grande destruição.

Miscelânea

  • Assisti, em DVD, Camisa de Força, filme que me agradou bastante: inteligente e original. Destaque para a beleza de Kiera Knightley
  • Disco do dia: Noites do Norte ao vivo – Caetano Veloso
  • Em breve, este que vos escreve estará publicando um projeto bloguístico que há muito tempo desejava realizar. Eis que, com a participação precípua dos meus colegas Washington, Daniel, Marcelo Lopes e Victor, o tal projeto está quase se concretizando. Aguardem.
  • Dez lições sobre o Dom.

    Não gosto de falar “sobre mim” aqui no Café – blogs do tipo hoje-meu-dia-foi-ótimo sempre me causaram um pouco de náusea. É verdade que digo, vez ou outra, que comi certo prato em certo lugar, ou que ouvi tal disco, assisti tal filme… Mas essas citações, creiam-me, tem a intenção de indicar aos meus dois ou três leitores opiniões culturais, políticas, etc. Beleza. Mas eis que existem os que dizem: “você deveria falar mais sobre você”.

    Para satisfazer a esses anseios, que para mim tem a ver com uma doença contemporânea denominada síndrome TV Fama, lá vão dez desinteressantes lições sobre o Dom:

    1 – Meu fetiche é a solidão
    2 – Sou um bibliófilo
    3 – Eu deveria ter nascido a uns 150 anos atrás
    4 – Não penso em ter filhos, mas penso em visitar a França
    5 – Não acho que exista a mulher ideal, mas espero por ela
    6 – A mulher ideal tem que gostar de vinho, de dançar e usar vestido
    7 – Sou anti-social e intolerante (principalmente com pessoas efusivas)
    8 – Eu minto e sou hipócrita, mas não mordo
    9 – Lugar ideal: meu quarto, com café, computador e livros
    10 – Acho que cerveja e sexo são essenciais para uma vida saudável

    Fragmento de uma carta.*

    [...]

    Infelizmente, teus lábios estão para mim enfadonhos [...]

    [...] O balbucio ao meu ouvido das palavras bregas que sempre trazes já me cansam, enjoam. E pensar que aquele lirismo em que te vi inicialmente, aqueles gestos que me fazia te ver poeta, fizeram-se cafonas – e concluo que qualquer garoto de programa seria capaz de dizer o que me dizes.

    [...]

    *Estas palavras foram encontradas próximas à lixeira duma biblioteca, numa folha de papel rasgado. Infelizmente não consegui reconstituir toda a folha, de maneira que apenas o que se lê acima foi recuperado. Infelizmente.

    O fenômeno mulher

    As mulheres estão absurdas. Passeiam por aí atacando a nós, homens, como se a elas tivéssemos feito alguma atrocidade. Provocam, desfilam modelitos que, como a própria palavra ensina, é um misto de modelo com um delito. Aqui na Bahia fiquei sabendo, através de conversas in botecum, que essas calças ousadíssimas que as mulheres estão usando denominam-se “pé-de-chibiu”. Nome bastante sugestivo, que nos faz questionar a anatomia desse sujeito que, se tem pé, deve ter cabeça, braço, umbigo…

    Antigamente as mulheres não podiam andar tão decotadas como hoje, sob pena de, no mínimo, irem parar num convento – quando não ardiam nas chamas de uma fogueira. Isso tudo na tentativa de fazê-las pagar pela ignomínia cometida por Eva – uma das costelas de Adão – quando fez o inocente rapaz comer do fruto proibido. Claro que esse é um viés católico e que atualmente não cabe mais pensar assim, uma vez que seria um pesar enorme ver, por exemplo, Ana Hickman num convento; pelo menos antes dela sair na revista Playboy.

    A mulher é um fenômeno a ser estudado. As pesquisas já indicam que elas estão nos tomando o mercado de trabalho, e que daqui a uns dias nos subjugarão não apenas com a concupiscência de suas vestes, mas irão nos tornar meros fornecedores de sêmen; artificialmente, claro, pois só os abestalhados não vêem que o vibrador é uma invenção perigosíssima para a concepção do sexo como algo feito por pessoas de gêneros opostos. Todo cuidado é pouco, senhores…

    Darwin já dizia que as fêmeas eram interesseiras, e que só escolhiam os homens visando a preservação da espécie. Desta forma, elas acham um homem de braços fortes interessante porque subirá com mais agilidade numa árvore para apanhar um fruto. Pernas grossas atraem porque ele fugirá mais rápido dos predadores, não deixando seus filhos órfãos. Daí entende-se porque hoje em dia elas preferem machos que tenham Audi, BMW ou Ferrari, e um limite alto no cartão de crédito, para comprar bastante frutas para os filhos. Tudo pela preservação da espécie!

    300 perde para Chefia.

    No último domingo assisti 300, de Zack Snyder, um épico que trata da guerra entre Esparta (comandada pelo Rei Leônidas) e a Pérsia (comandada por Xerxes, interpretado por Rodrigo Santoro). O filme não vai muito além do que já é clichê em épicos, como as imagens grandiloqüentes de dois exércitos se chocando, a entrega do “amuleto da sorte” da dama a seu cavalheiro e muito sangue e imagens de decapitações e afins.

    Originário dos quadrinhos, 300 utiliza-se de efeitos especiais do estilo Matrix: fora do aceitável, fisicamente falando; o que me desagrada por “acordar” o público da sensação de realidade (já que o filme épico pressupõe certo grau de historicidade). No final há uma inovação em relação a outros épicos, mas isso fica para o leitor perceber.

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    O clímax do meu domingo não foi assistir 300. Melhor foi beber algumas cervejinhas na Cidade Baixa de Salvador, no bar do Chefia, sob a sombra de uma mangueira. Isso na companhia de Danilo, Marcelo e Fernando, aos quais dedico este post.

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    "Insanidade é fazer a mesma coisa uma e outra vez e esperar resultados diferentes."
    Einstein