Minha Geração
Faço parte de uma geração estúpida. Na verdade, com meus vinte e poucos anos, nem sei se, de fato, posso me julgar partícipe de uma geração. Afinal, as pessoas da minha idade não possuem um elo, uma causa em comum, uma ideologia, um paradigma a ser seguido. Ora, qual o desenho do homem nascido na segunda metade da década de oitenta?
Não somos os jovens de caras pintadas, lutando por direitos e garantias coletivas e individuais. Não somos socialistas, comunistas ou anarquistas, nem acreditamos em quaisquer dessas ideologias cegas do passado – mas que valorizavam a coletividade em detrimento ao indivíduo. A universidade, outrora caldeirão intelectual, se tornou apenas um meio para “subir na vida”.
Aos que me imaginam defensor da coletividade burra (pseudo-coletividade), aquela que prende, tortura, tolhe e cerceia, pensam errado. Sim, foi um grande passo chegarmos a perceber até onde o indivíduo não pode ser podado; mas eis que se criou uma geração de monstros egocêntricos, vaidosos, inconseqüentes.
É dessa maneira que vejo meus contemporâneos matarem pais e mães – explicitamente, ou implicitamente, se drogando como condenados à degradação. Em conversas nas esquinas, desejamos que se jogue uma bomba atômica em cada favela, afinal, pobre é criminoso, e criminoso merece a morte.
Nossa arte(?) é ineficiente, tornamos espetáculo o sofrimento, ou então insistimos em retratar o maravilhoso quadro de uma elite que a maioria de nós não alcançará. Ante os absurdos nos telejornais, fingimos um desgosto inútil: “não tem mais jeito”, “que país é esse?”… Então, mudamos de canal para a novela mais próxima, nos anestesiando com bundas salientes e braços viris.
Finalmente, contemplo o futuro da minha geração. O que diremos aos nossos netos, que sofrerão com a escassez de água? Qual será a ética a ser ensinada às futuras gerações? Quando estivermos já idosos sentados no banco da praça, o que estaremos lendo no jornal – conseqüência da nossa omissão atual? Enfim, qual é o futuro que estamos construindo?





