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Espetaculindas

Estamos vivendo a época das espetaculindas. O termo é originário duma comunidade que vi no orkut, e expressa bem o paradigma de beleza feminina atual. Nunca as mulheres ditas “normais”, as que diariamente esbarramo-nos nas ruas, foram tão semelhantes às celebridades. Um marido, após assistir a novela das oito e comparar as mulheres da tevê com sua esposa, no mínimo vai perceber o esforço de sua cônjuge em estar parecida com aquelas.

Estamos perdendo a variabilidade, nosso conceito de boniteza está estereotipado, engessado, afinal, ser bela é parecer independente e altiva, profissionalmente bem-sucedida. Ser bela é ser Gisele Bündchen, Luana Piovani, Debora Secco – todas elas enjoativamente parecidas, europeizadas. Onde estão as hippies? As intelectuais? As religiosas?

O que fizemos com a mulher recatada? Está em extinção o uso de tranças no cabelo e saia abaixo do joelho. Não me refiro à mulher submissa, aquela que não sabe gozar, e que é empregada doméstica do marido. A mulher recatada é aquela que reproduz seus pudores, sua timidez, na forma de se vestir e se portar. Chegamos então ao absurdo de ter mulheres vestindo irracionalmente saias com um palmo de altura, mas que se ofendem com o olhar libidinoso dum macho.

Creio que já se provou que elas são capazes de quase tudo que nós, homens, somos – arrisco em dizer que até possam mais. Os que ainda não acreditam nisso, diante de tantas evidências, certamente nunca serão convencidos. Desta forma, questiono esse automatismo que torna as mulheres tendentes a adotar o modelo espetacular como seu conceito de lindeza. Sempre disseram que nós, machos, somos todos iguais; uma mentira maldosa que parece estar virando-se contra o feiticeiro (para nosso desespero).

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"Insanidade é fazer a mesma coisa uma e outra vez e esperar resultados diferentes."
Einstein