Poesia Popular Brasileira
Já li que a poesia brasileira passa por uma crise, e que nos últimos anos a vendagem irrisória de livros de poemas se deve à escassez de poetas “competentes”, como os consagrados Carlos Drummond de Andrade e Vinícius de Moraes, ou mesmo baluartes da nossa literatura como Castro Alves ou Augusto dos Anjos. Ao mesmo tempo, muitos se perguntam quem são os poetas que estão produzindo literatura (de verdade) em nossa bastarda contemporaneidade.
Percebo na música a saída para esta carência. Afinal de contas, compositores como Caetano Veloso, Chico Buarque, Chico César e muitos outros são “lidos” abundantemente mesmo por quem se diz “impaciente” para ler poesia. Aliás, diga-se que “música”, na verdade, é o conjunto de sons produzidos pelos instrumentos musicais, e “letra” temos como as palavras cantadas no ritmo da música. E o que é a letra de uma música senão um poema?
Eufemismos a parte, creio que as letras, os poemas, as metáforas produzidas pelos nossos compositores, ou poetas, têm sido pouco vistas criticamente como poesia. Talvez por isso, quando digo que gosto de poesia, me chamam de intelectual, culto… enquanto vêem com naturalidade ouvir músicas com letras às vezes mais complexas e profundas do que um poema que esteja escrito num livro.
Quem há de negar a excelência de poetas como os três citados acima? Chico Buarque e Caetano, na minha humilde opinião, deveriam constar nas páginas dos livros didáticos de literatura brasileira – e talvez irão, não só por seus papéis históricos em movimentos como o Tropicalismo, mas, principalmente, por seus gênios criativos. Mesmo sendo autores desta estirpe, diariamente ouvimos suas produções na tevê e nas rádios. A música tornou popular a poesia, de maneira que a MPB trouxe, assim, a PPB, Poesia Popular Brasileira.






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