O amor platônico
Lembro com certo langor dos amores passados. Um deles, especificamente, amor irrealizado e platônico, é como se fosse uma relíquia que guardo em mim, perfeito. Existem esses amores. Amores que nos negamos a consumar, medrosos de findá-los.
Ouvindo blues, tomando vinho… É inevitável a ressurreição das cenas daquela paixão não declarada e talvez por isso, irrealizada. Ressalte-se aqui a importância da palavra “talvez”.
Eis que inevitavelmente busca-se o êxtase trazido pelas frustrações. O apaixonado gosta da melancolia. Basta revirar uma gaveta e lá está uma carta, uma foto para lembrar aquele ente intocável por opção – masoquista desejo. Na foto, vejo-a criança. Mas, eu sei, não está muito diferente de hoje. Linda.
Admiro a nascente de seus cabelos, a bochecha rosada, o sorriso casto. É incrível como o amor platônico, o amor de infância, conserva uma fisionomia para sempre. Ainda hoje, ela não sabe, vejo-a com a mesma aura impúbere de anos atrás.
Morreremos. E certamente essas palavras poderão ser repetidas dias antes de nossas mortes. O amor platônico é isso, é eterno, mas inalcançável.
P.S.: Texto piegas, pérfido, ordinário e impraticável.






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