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A boate no Cabaret

O Cabaret era uma casa noturna que havia aqui em minha cidade. Não é necessário muita idade para se lembrar de sua fachada estilo nova-iorquino. Foi lá que ocorreu a festa de encerramento do ano letivo, quando então eu terminara a quarta série do primário. Para comemorar nossa passagem para o ginásio – conquista que inspirava um sentimento de maturidade em nós, formandos – se faria uma boate.

Naquela época, uma boate, para mim, era um evento magnífico. Tinha visto em alguns filmes aquela profusão de luzes piscando, em meio ao escuro – formando um ambiente indeciso, ansioso. Além disso, a palavra “boate” sempre me fez sentir pancadas intermitentes no peito – associação às mixagens neuróticas que são as músicas das boates.

Foi nessa festa que, pela primeira vez, fui apresentado a uma garota. E quando digo “apresentado”, me refiro ao ritual de tocar a mão da moça e dar-lhe um beijinho em cada face, isso depois de alguém dizer: “fulano, esta é fulana, fulana, este é fulano”. Lembro-me que essa menina, com não mais de treze anos de idade, tinha os cabelos encaracolados, meio ruivos e se chamava Karen. Apesar de não mais tê-la visto após aquele evento, a textura de sua pele se faz sentir ainda em minha boca, mesmo com alguns anos passados.

Aquela boate está para mim como a representação da passagem da infância para a adolescência. Mesmo porque, após sua ocorrência, me sentia mais maduro, importante. Tinha ido a uma boate, fora-me apresentada uma mulher e, para completar, estava já no ginásio – fase da escola que os professores viviam dizendo que era necessária muita responsabilidade. A partir daquele dia, não ficaria atrás dos colegas mais velhos, quando narravam estórias interessantíssimas envolvendo mulheres. Karen ficou protagonista nas minhas estórias (não raro enxertadas) durante um bom tempo, até que outro fato deslumbrante como aquele ocorresse.

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"Insanidade é fazer a mesma coisa uma e outra vez e esperar resultados diferentes."
Einstein