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Acesso de Narciso

Ora caminho pela cidade feito um lorde, com um riso sarcástico apontado para os biltres que por mim passam. Galhofo dos lacaios do cotidiano, dos não-rebeldes, dos massificados de cultura modal. De raro em raro me aparece esse sentimento de superioridade inconfessável pela humildade benquista pela humanidade. As pessoas rechaçam a autovalorização pública; não obstante haverem os inconvenientes, como o saudoso Friedrich:

“Por que eu sei algo mais do que os outros? Generalizando: por que eu sou tão inteligente, tão perspicaz? Nunca refleti a respeito de problemas que não são problemas; por isso não me ‘dissipei’.”

Sim, por vezes me tenho em bom conceito. Anulo os méritos fugazes da gentinha comum, do populacho que vive de instinto – como feras fossem. E andando vou de salto alto, reprovando a vulgaridade geral.

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"Considero a crueldade e o assassínio em massa coisas más e desejava que todos concordassem com a minha opinião. Isto não evita que outros desejam tanto a crueldade como o assassínio em massa, tal como demonstra o procedimento de todos os que ocupam posições de mando e da maioria da humanidade."
Bertrand Russel