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Fugacidade

Saiu frenética de casa – pontas dos pés, porta aberta sorrateiramente, mas o corpo quente, contendo-se. Suava, não o suor ulterior, mas suava (frio). Antípoda: o ardil calmo exigível na fuga versus o furor corrupto da carne. É o resumo daquela mulher que anarquicamente desejava a erupção.

Chegou ao salão como imã dos olhares. Vestida de curto como nunca dantes se vira, escolhera o vermelho, cor tradicional das mulheres de vida fácil, para encontrar-se com seu amante. Homem forte, viril, bruto. Ele era o avesso do recatado terno-e-gravata.

Seu olhar violento foi o que agradou-a, rasgando as vestes que ela trazia no momento em que se viram atraídos. Do olhar devassador para a proposta sem palavras de devassarem-se foi pouco. Prontamente aceita, mutuamente cumprida.

Naquele salão, suou – agora o suor magmático da paixão, não o apreensivo de outrora. Rodou no forró, sedenta, bebeu cerveja, brega, beijou, roçou e não desapegou-se do seu macho. Dada a hora, gozada a madrugada, pervertida a ordem de sua vida, voltara, com os mesmos artifícios, para casa. Tomou banho, escondeu o vestido e derrubou-se lentamente no leito tradicional terno-e-gravata – não sem antes ter osculado sua menina.

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"No Museu Dos Vencidos estão reunidos todos os papeizinhos com os discursos de agradecimento não lidos pelos perdedores de todos os prêmios."
Michel Melamed