Senil
Sou velho. Como negar meu tédio com as coisas comuns da vida? Coisas que parecem repetidas, mesmo sendo inéditas. Asco do beijinho-do-lado-e-do-outro burguês – máscara afetiva dos que se querem morder os lábios. Repulsa à contínua repressão dos instintos – oh! Tirem-me daqui as etiquetas, os favores e obrigados: vamos diretamente aos interesses vis.
E ao mesmo tempo xingo o ato sem método, sem arte, sem a complexidade peculiar ao humano. Que despautério comer apenas para matar a fome, viver para sobreviver, pensar só para agir.
Está visto e dito: sou ranzinza.






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