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Feira de Santana

Certamente um estrangeiro não verá em minha cidade algo de esplêndido, como quiçá encontrará em outros lugares, num Rio de Janeiro, São Paulo ou na vizinha Salvador. Feira parecerá, por certo, um lugarzinho insosso, sem graça. Sem praias, monumentos ou grandes museus. Com apenas um McDonald’s e um cinema, localizados no único shopping da cidade, seria o pesadelo da maioria dos metropolitanos mudar-se para a Princesa do Sertão.

E, sim, concordo que somos cidadãos provincianos. Que ainda não perdemos o ranço de comerciantes, o histórico ranço de quem quer levar vantagem em tudo. Chegamos a ser uma cidade medíocre até – todos nós, 600.000 habitantes mais ou menos. Acredito na teoria que afirma o feirense como um ser que lucra em sua cidade para esbanjar-se fora. As diversões que encontramos aqui, então, são fugazes, coisa feita para poucas dezenas de indivíduos que ainda não conseguiram se emancipar.

E não obstante isso, amo minha cidade. Gosto de passear pela Avenida Maria Quitéria após a chuva, sentir o cheiro de terra e ver caindo gotículas prateadas de água das caliandras. Tomar café quente na livraria daquele único shopping. Gosto do povo que é enganado e enganador, inocente e pérfido: povo de feira. Gosto porque é a cidade onde nasci, cresci e aprendi a viver, e que toda vez que vejo me alegro e que toda vez que nela chego sou bem recebido por amigos, familiares e desconhecidos.

Não gosto do grupo político de minha cidade. Não gosto de quase toda sua imprensa, também comerciante. Mas de qual outro lugar conheço as ruas e seus atalhos? Onde terei tantas casas para abrigar-me? Onde conheço tantas raparigas? Sem minha cidade não vivo, nem vivo bem. Feira de Santana é minha cidade por obrigação, e por prazer.

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"Considero a crueldade e o assassínio em massa coisas más e desejava que todos concordassem com a minha opinião. Isto não evita que outros desejam tanto a crueldade como o assassínio em massa, tal como demonstra o procedimento de todos os que ocupam posições de mando e da maioria da humanidade."
Bertrand Russel