O velho
O velho, por detrás das grades do seu condomínio, observa os transeuntes de sua cidade dita grande. Observa-os como se neles quisesse alcançar alguma paz, e nada encontra além da arrogância de seus passos ligeiros, apressados.
Um pouco mais à frente, na avenida, carros. Massas de ferro, monstros ruidosos, fedorentos – expelindo fumaça quais dragões feros. E o velho olha-os aflito, questiona que seres são aqueles que não são outros, de outra essência, de outra matéria. Surpreende a esperança do velho. Um velho com esperança. Ei-lo frustrado.
Olha mais uma vez os passantes, encara uma moça negra, que não lhe percebe, e nem lhe entende o pedido de consolo ante sua desolação. A boina marrom do velho, sua camisa xadrez, sua calça preta e as chinelas de couro marrom trazem a imagem dum homem que deseja outros tempos, tempos passados, ou tempos não vividos.
De chofre, aparece sua velha, pega-lhe o ombro esquerdo ao tempo que murmura algo. Ele sorri palidamente, toma a mão enrugada dela e beija-lha. Levanta-se e saem juntos, lentamente caminhando a algum destino.






Nenhum comentário, Comente ou Ping
Comentar “O velho”