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Anti-arte, Fígaro e Cristo.

Por esses dias visitei uma pizzaria aqui em minha cidade, onde bebi algum vinho e escutei um músico não tanto ordinário. De errado ele tinha aquela velha técnica de oferecer-se a tocar o que o público quisesse – coisa perigosa, anti-artística e deveras ligada a um marketing apelativo. O perigo está em não saber tocar todas as canções, e aí se frustra o público. Anti-arte pois não entendo o artista concessivo, maleável, ao contrário, o artista deve impor ao público sua arte, suas interpretações, de maneira que se perceba nele uma certa empáfia, uma superioridade. Tocar a música que o público deseja é trazer para a arte a estratégia self-service, o marketing desesperado, sempre usado por qualquer vulgar publicitário. Daqui a uns dias estarão colocando a música no cardápio para que o cliente escolha. O artista que se curva a um público pode bem ser substituído por um aparelho de mp3.

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Já disse aqui, ou já dei a entender, que meu gabinete é um dos melhores lugares do mundo. Agora mesmo, ao ouvir Le Nozze Di Figaro, senti-me num teatro aristocrático neoclássico, devidamente decorado com tecidos dourados e veludos vermelhos. Cruzo minhas pernas de maneira vaidosa e retiro da cabeça a cartola que fica acomodada sobre a calça preta do meu terno. Lá dos camarotes percebo – sem deixar-me perceber – que existem duas raparigas olhando-me através dos seus binóculos (uma delas comenta a elegância de minha gravata borboleta). Uma chama-se Deruchette, a outra Julie.

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E ainda há quem reclame do cristianismo, que nos poupa uma sexta de trabalho, influenciando-nos ao consumo de vinho e frutos do mar.

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"Insanidade é fazer a mesma coisa uma e outra vez e esperar resultados diferentes."
Einstein