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Dormi

Nessa época de supervalorização da atividade, dos elogios ao dinâmico e movimentado, o sono é um chiste. Dormir é uma ofensa possível aos homens capitalistas, produtores. Dizem que oito horas de sono por dia é o ideal — mas quanto absurdo há em dizer-se que se dorme oito horas por dia! O homem quando pára desvirtua a filosofia da evolução, a marcha psicopata por estar à frente dos que estão à frente, e finalmente percebemos todos no mesmo lugar.

Quem concebe o que disse Sá-Carneiro?

Sim: ficar sempre na cama, nunca mexer, criar bolor —
Pelo menos era o sossego completo… História! Era a melhor das vidas…

Dormir: palavra que tornou-se sinônimo de omissão. Mas, não. Dormir é a ação de recusa ao status da consciência usurária pelo movimento. Dormir é um protesto. Dormi, e dás uma tapa na cara do homem-máquina.

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"No Museu Dos Vencidos estão reunidos todos os papeizinhos com os discursos de agradecimento não lidos pelos perdedores de todos os prêmios."
Michel Melamed