(Entre parênteses)
A maioria das mulheres está entre aspas. Quem negará o ser dissimulado, teatral, conotativo das mulheres? As aspas as acompanham constantemente, de forma que o sim poderá vir a ser um não, o ódio poderá representar-lhes o amor, a solidão e a melancolia, nas mulheres, não raro demonstram-se alegrias comutadas. Mas não está se tratando aqui de algo desconhecido – não é incomum falar-se do dom de iludir feminino.
Mas eis que se apresenta-nos a mulher entre parênteses. Ela é original, possui em seu ser a falta de vínculo imediato com a realidade, seus parênteses servem para dar-lhe a liberdade de entender e explicar as coisas sem subjugar-se, livre. Seu acordo é apenas consigo mesma, é soberana.
Quando um homem encontra dessas mulheres entre parênteses logo anseia entendê-la. Essa realidade unívoca, protegida por duas curvas, atrai mesmo o mais distraído observador. Quem és? Como formou-se? De onde vem? Para onde vai? Os parênteses são dois espelhos convexos, divergindo qualquer luz que ouse invadi-lo – e é nessa dificuldade que está a atração.






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