O óraculo da banca de revistas.
Adentrei a banca de jornal, peguei um exemplar do dia e paguei com algumas moedas que sobravam-me no bolso. Chamaram-me a atenção algumas revistas, que me prenderam por alguns instantes até a chegada dum velho de longos cabelos brancos, acompanhados de espessa barba. Sentou-se num banco interior à banca para assistir o jornal que passava na tevê – agiu como íntimo fosse do ambiente e da mulher de cara entediada que despachara-me.
Após assistir uma reportagem, olhou para mim, desacreditado, e disse:
“Sua geração tem o dever de acabar com a corrupção. Eu e os meus acabamos com a ditadura, fizemos leis para a liberdade. Vocês agora têm que zelar por elas. Minha geração derrubou a ditadura, a sua tem que derrubar a corrupção.”.
Concordei instintivamente com o velho. Comprei mais duas revistas – uma falando do bigodudo Nietzsche, outra do Mago. Paguei e fui interpretando o óraculo da banca de revistas pelas ruas; e bem que o ancião parecia Nostradamus.






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