Inanição
Às vezes, como disse Neruda, cansa-me ser homem. Tirando o tempo do sono diário, deveria nos ser reservado umas duas ou três horas de pedra.
Às vezes, como disse Neruda, cansa-me ser homem. Tirando o tempo do sono diário, deveria nos ser reservado umas duas ou três horas de pedra.
E aí? Uma casinha num rincão, ouvindo o gorjeio dos pássaros, ou um apartamento regado ao som dos carros da avenida mais próxima? A primeira, uma quimera impotente, o segundo, um incômodo ambicioso.
Num debate filosófico com o filósofo Leonardo Bernardes, cheguei à seguinte conclusão: “há uma contrapartida relativamente cômoda para os ‘alijados’ do poder: o exercício de sua preguiça.”. Outrora cria que apenas “o conjunto de mecanismos já estabelecidos para manter o status atual das coisas: indivíduos dóceis, adestrados” é que se devia relevar. Toda essa alteração na avaliação da alienação se deve aos argumentos do filósofo, melhor explanados aqui e aqui. Leia-se:
“os indivíduos dóceis, domesticados, não são produtos da ação opressora do poder. A feição do poder nos dias de hoje não é a de um agente opressor, mas de um sedutor. Ele se define não pela imposição de barreiras e contingenciamento — e não se limita ao Estado — que entravam o status dos indivíduos na sociedade mas por criar uma organização de tal sorte que os indivíduos são aliciados por uma condição de conivência na qual são co-agentes.
Não é de hoje que o poder é analisado nesse aspecto aliciador. Veja por exemplo a “servidão voluntária” de La Boetié, como é possível que massas inteiras se subordinem a um único homem (ou poucos deles)? Nunca pensou que houvesse mais do que força empregada nesse domínio?” – Leonardo Bernardes
Em desconforme com poetas gregos e psicólogos troianos, a solidão me faz um bem terrível.
Sim, sim… Este blog não deveria estar medíocre como está. Perdoem-me os entusiastas da renovação, mas tempo e disposição são variáveis que ainda não sei controlar…
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"Considero a crueldade e o assassínio em massa coisas más e desejava que todos concordassem com a minha opinião. Isto não evita que outros desejam tanto a crueldade como o assassínio em massa, tal como demonstra o procedimento de todos os que ocupam posições de mando e da maioria da humanidade."
Bertrand Russel