a vitória do (des)encontro
Ele diz: interessante, você. Ela ri, ele retruca: boa resposta. Mais misteriosa impossível. Isso a torna ainda mais interessante. É como se você estivesse andando na praia e eu, galanteador, fosse acompanhando você e dizendo coisas para fazê-la falar alguma coisa. Mas a senhorita ri, faz expressões de agradabilidade mas, mantendo o recato, nada diz.
Ela dá uma breve gargalhada.
Sim… uma risada já é algo mais que um riso. Na risada há um esboço de voz. O perigoso é que nela duas expressões podem estar contidas: ou o desprezo ironizado, ou o agrado por ter se identificado.
Ela diz: “Boa!”
Enfim, o rapaz consegue que ela diga algo. Apesar de ser algo monossilábico e dúbio. “Boa” pela parte do desprezo ou do agrado?, ele se pergunta. B-o-a, e uma exclamação (talvez a parte mais ambígua seja a exclamação). Mas ele já se sente mais cofortável. É bom vê-la abrir a boca.
Ela murmura e seu mistério aumenta.
“O que não poderíamos estar conversando, usufruindo um do outro se ela não estivesse tão introspectiva…”, ele argumenta consigo mesmo.
Enquanto pensa nisso, alguém lhe chama. Mesmo sem saber o que ela pensa dele, diz que ainda a encontrará. É uma despedida unilateral, mas que, apesar de incipiente, já deixa saudades…






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