mas não puta.
Há mulheres que podem ser feias e bonitas a um só tempo. É o caso duma minha conhecida.
Cabelos mal tratados, juba bicolor, ruiva e loira. Boca forte, lábios expelidos, dentes retos. Nariz seguro, gordas bochechas.
Suas ancas salientes ressaltam seu porte — talvez o único consenso entre os homens que a observam. Qual uma fêmea reprodutora, muitos a anseiam por este símbolo da portadora de bom colo.
A pessoa não é menos que o físico. Tem o desleixo característico da menina que desafia os meninos, joga bola com eles, quer lhes vencer no pega-pega. Mas copiosamente chora ao ralar o joelho, e derrete-se por tratarem-na por frágil, feminina. É uma mimada.
Sexo fatal, irresponsável, sem cheiros outros que não o de mulher no cio. Seu admirador conserva em si a vontade de tê-la exclusiva, mesmo sabendo-a já possuída por outros.
É daquelas flores criadas em jardim, e que, se se aventuram a cultivá-la no vaso, fenece. É uma menina inconstante, mas não vulgar. Uma mulher pública, mas não puta.






Um comentário
Femme Deleuze
Lindo!
dez 22nd, 2008
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