O tapa do mar
Estou com o vício de visitar o mar ao menos uma vez por semana. Sendo avesso ao hábito do banho em água salgada, o agrado está na contemplação melancólica do ir e vir das águas, do surgir branco da espuma na imensidão negra. Fica claro que isso se dá à noite, uma vez que o sol por demais desagrada-me, e digamos que não seja muito afeito ao suor gratuito.
Aproximar-se do que é gigante faz o homem diminuir-se, e ei-lo fazendo pouco dos seus problemas, pilheriando de suas angústias, galhofando dos seus medos. O mar bate-lhe à cara dizendo: “quem pensas que és, fedelho insignificante?”.






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