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O tapado

Jamais fui um grande especialista em conversações, aliás, a introspecção e a análise entediada da conduta alheia sempre fizeram parte de mim. Fico deveras absorto quando saio com alguém que reencontra um amigo de há anos não visto e esta pessoa consegue dedicar-se a mais de dois ou três minutos num diálogo. Eis um dom que não possuo.

Talvez essa idiossincrasia seja negada apenas quando estou apossado de qualquer influência etílica (o diabo, para alguns crentes). Como sabem, sou um boêmio decadente, e a cerveja, uísque ou vinho sempre são um bom remédio para aturar os não-íntimos.

2 Comentários

  1. Clarice

    Ser extrovertida também revela sua faceta em algum momento insuportável, como o desejo de ficar sozinha, contemplativa ou mesmo de ter o direito de não cumprimentar ninguém.
    Tapado ou não, creio que o autor do texto seja muito interessante. Quais outras características revelaria à curiosa leitora?

    R: Sim, Clarice. Também entendo a extroversão como um dos rompantes a que nos leva o espírito em momentos extremos. Quanto ao interesse no autor, sugiro a leitura desta página: http://cafedodom.com.br/dom , ou o contato pelo email danillofn@gmail.com . Além de, obviamente, continuar a ler o Café.

  2. Sofro do mesmo problema. É incrível como os outros sabem conversar. Conseguem falar, e falar e falam e falam. Que inveja. Mas não tenho tempo para falarolar. Não mesmo.

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"No Museu Dos Vencidos estão reunidos todos os papeizinhos com os discursos de agradecimento não lidos pelos perdedores de todos os prêmios."
Michel Melamed