Consciência de charuto
Da poltrona cáqui já desbotada de sua sala, fumou um charuto em homenagem à paixão que lhe destituíra o tão caro cotidiano-tédio (a paz trivial da vida, afirmava, era o melhor estado de espírito possível). Naquele momento, era a vez de se destituir dela – ou melhor, foi à busca da consciência de que as paixões são doenças, algum vírus passageiro.
Toda consciência é uma ou mais concepções perenes num indivíduo, o que significa dizer que a paixão se apresentava para ele como um erro proposital, uma entrega burra a uma mulher certamente menor que sua projeção apaixonada. Tragava e ria de si:
“Ridículo. Caralho… eu sou ridículo”.






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