Ofendido por Russel
Lembro-me da vez em que anunciei a um meu professor, com algum entusiasmo e bastante exibicionismo, a compra dum livro de Filosofia. Bertrand Russel, se não me engano. Eu estava na casa dos quinze, e fiquei irritado e constrangido com sua recomendação: “é bom que não leia filosofia por enquanto. Fique na literatura, depois se lance aos filósofos”. Ora. Quem era ele para julgar a incapacidade, que eu tinha, de entender filosofia? Um professor deve tratar os alunos com presunção de genialidade. E se eu tivesse algo de Mozart, de Newton?

Apesar de ainda hoje concordar comigo mesmo — cabia um “leia para depois discutirmos” —, não deixo de dar razão ao mestre. Certas leituras carecem de alguma maturidade intelectual. Talvez não Russel (que li desafiadoramente e entendi), mas outros tantos autores, inclusive de literatura, que só se fazem entender aos espíritos mais aprimorados.
É possível que eu tenha perdido algo, por exemplo, de Machado de Assis, já que terminei a leitura de sua obra aos 17 anos. Por isso, esporadicamente consulto e releio alguma coisa do maior do Brasil.
Geralmente compro livros descompromissadamente, para ler apenas quando estiver no momento ideal; alguns deles passam dos cinco anos ainda em virgindade na minha microbiblioteca. Talvez eu morra e meus herdeiros, se houver, os leiam antes dos 15. Ou não.






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