#cparty (2)
São Paulo é monocromática. No máximo, varia do cinza ao preto; expressa em tudo uma essência de asfalto, de vigas metálicas, de fumaça. Nem a natureza, a mãe, escapou do véu de falta de cor que derrama-se em São Paulo – o Rio Tietê é preto, o céu é cinza. É nesse mau gosto de Caetano Veloso que está acontecendo a Campus Party. Esta sim, colorida, brilhante, prismática. Os nerds espalham-se pelo Centro Imigrantes de todas as maneiras: deitados, sentados, de pé, de ponta-cabeça. É bonito ver centenas de monitores e gabinetes brilhando num mesmo ambiente — portas abertas a milhões de interações, que, por sua vez, interagem entre si naquele espaço.
Os nerds não são mais os melhores alunos de matemática da escola, caricaturalmente concebidos de camisa por dentro das calças, óculos, e um certo ar de doente mental. Os nerds estão coloridos, sem tipo, gordos, magros, altos e medianos. Pretos e amarelos.
Por aqui baixa-se arquivos rapidíssimo — 80 megabytes em 50 segundos. A comida é variada, as pessoas são bonitas — ou se são feias têm estilo, e os assuntos abordados são interessantes. Dizem que o ano passado foi melhor, mas o de agora me satisfaz.
Voltando ao cinzento paulista, lembro do meu agrado pelo monocromático, pela melancolia do inexpressivo. E vejam: faz frio. Ótima conjuntura para um brinde com café. Café preto: o mesmo preto corintiano — o maior dos times paulistas.






Nenhum comentário, Comente ou Ping
Comentar “#cparty (2)”