Ziguezague
Cada homem tem um mundo íntimo personalíssimo, com peculiaridades que vão das mentiras que só servem a si mesmo às verdades que não ousa compartilhar. Observe-se o caso da admiração muda nutrida por pessoas inalcançáveis. Trato de pessoas cotidianas, relativamente próximas, mas que possuem caracteres distintos, superiores. O indivíduo entende racionalmente esta superioridade (a beleza, o número de livros lidos, a conta bancária, enfim), mas nutre certo vínculo afetivo — e distante — àquela espécie de astro, lamentavelmente convencendo-se de alguma correspondência por parte dele. A superioridade do outro é uma verdade inassimilável para nós mesmos, mas o cultuamos, mentindo a si uma correspondência questionável. Desse tipo de ziguezaguear são compostas nossas entranhas psicológicas.






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