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Melhor que o Faustão

Quando trabalhava no bar de meu avô, por lá esporadicamente passava um homem feito, barbudo e barrigudo, sempre com algum suor na cara. Dizia que demorara de passar ali por causa dos seus afazeres, o trabalho, dizia ele, estava-lhe sugando. Meu avô sempre lamentava muito sua ausência quando lá ele chegava, e dizia que falara dele a semana toda, o que, naturalmente, eu confirmava (não sou besta nem nada). Mas aqui não importa os falsos lamentos do velho Epifânio — antes interessado no cliente que no amigo — mas a constante justificativa do homem suado. Tal qual ele, tenho priorizado o ofício, e não é demais dizer que até mesmo minhas feições já estão com marcas de trabalho.

Workaholic
O pior é que isso me vai agradando. Sou um Workaholic, por assim dizer.

Não deixar de exercer minha individualidade, como costumo falar, tem se tornado difícil. Mesmo porque, passamos a nos perguntar o quanto do ofício passa a ser nossa individualidade, e vice-versa.

Pensando nisso, chego à conclusão de que este blog ainda é parte dela — ou sua expressão. Se não for parte dela, quando nada é um ponto de encontro com o que um dia fui, ou com o que um dia tive tempo de ser. Enfim, filosofias à parte, o fato é que resolvi firmar um compromisso com o leitor e comigo próprio (com a vantagem de que lutar contra si é ter a certeza de ganhar). Aos domingos, ou pelo menos aos domingos, este blog será atualizado. Trata-se de uma obrigação trivial, mas quase uma irresponsabilidade, dada minha atual condição profissional. Mas está feito: prometo ser melhor que o Faustão.

*O Café está tecnicamente em transição. Caso algum acidente aconteça, relevem.

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"Insanidade é fazer a mesma coisa uma e outra vez e esperar resultados diferentes."
Einstein