O inferno, amor.
Todos nós somos, a um só tempo, demônios e vítimas de diabruras. Os nãos com que açoitamos as pretendências alheias ricocheteiam em nossas caras, como tapas de indignidade, como alertas de impotência.

Ou o leitor nunca amou uma jovem de cabelos escorridos ao ombro, de sorriso largo e lábios lascivos? Ao declarar-se o apaixonado, ela lhe diz descaradamente: “Não, por enquanto não. O problema é comigo, não com você”.
E quantas dessas descarações já não fizera também o renegado?
Quantos seios túrgidos ansiamos, quantas mãos quisemos segurar em praças públicas em vão. E quantas delas, demônios envergonhados, evitamos. São esses os personagens do inferno dos amantes: simultaneamente diabrados e diabrandos.






Um comentário
Naila de Souza
“quantas mãos quisemos segurar em praças públicas em vão.”
Me vi em suas linhas.
R: Quem bom, Naila.
=]
mai 8th, 2009
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