já que falei de janotismo…

Isso é da marca do cavalinho.

Hoje, nosso herói é o janota. O janotismo é uma arte caprichosa, própria dos sujeitos, digamos… Originais. Em verdade, todos temos um pouco de janotismo, quando nada nos momentos solitários em frente ao espelho, onde arriscamos os penteados esdrúxulos que, por nós, até aceitaríamos usar, mas que não aprovamos em virtude do pensar alheio.
O janota estréia, ousa, extravaga. Oh, e não o digam que está cafona ou brega, pois ele o condenará de pronto à pecha de mal-cuidado e, certamente, de invejoso – e quase está certo.
E percebam que o ser janota, almofadinha ou dude, não se resume à moda do vestir, pois janotas existem de todas as modalidades. Pensem no político janota, como um grande prefeito vanguardista que decretou o verde como cor oficial das residências e estabelecimentos da cidade que governava.
O janota no comer não come de qualquer modo. Cria engenharias de assalto ao prato, inclusive recusando-se caprichosamente a pôr na boca alimentos que dias antes tinha como boas iguarias. Este é o espírito do janota: enjoado, inventor e incompreensivelmente vanguardista.
Ai, como queria ter escrito isto:
Há quem viva obcecado com a dimensão ética da amizade. Compreendo, também tenho essa tendência, e passei pelos inevitáveis percalços como culpado e como vítima. Mas muitas vezes a história de uma amizade não passa pela ética. Depende de factos objectivos, como mudanças de cidade ou casamentos. E no meu caso tem também passado pela falta de empatia. Em momentos chaves da minha vida, fiquei sem amigos apenas por ausência de empatia. Ninguém cometeu nenhuma falha ética, mas eu falava outra língua, uma língua que os meus amigos não entendiam. Até aí, eu julgava que a amizade era uma escolha. Hoje, sei que é apenas a arte do possível.
Leiam o Lei Seca.

A pior vida é a prática, cotidiana. O que decidimos chamar de trabalho é o mais característico fator da superficialidade humana. Tal é o trabalho, que chega-se a imaginá-lo como um Vingador, um Freeza, ou, na falta de um vilão maior, seu próprio chefe.
Vejam, por exemplo, a fórmula do trabalho, e o quanto ela leva-nos ao desespero:
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Não digo que seja o desespero alarmante, mas um pior: o desespero ligado à desesperança, que é a mesma coisa. Desesperar é não possuir expectativa de evolução, é a extinção da subjetividade que leva ao sonho, tornando a vida do sujeito uma sucessão de procedimentos mecânicos, burocráticos, automáticos: eis o trabalho.
Sim, sim. Há os peraltas, homens de fibra, que burlam o trabalho, corrompem a rotina das engrenagens que levam a não-sei-aonde. Em verdade, esses não trabalham, seguem o ensinamento d’o elogio ao ócio de modo peculiar.
entendo que o conversar em letras minúsculas é diminuir as barreiras próprias da formalidade textual. ‘eu te amo’ tem valor maior que ‘Eu te Amo’, por exemplo. a maiusculinidade são muralhas impedindo o acesso ao despojo linguístico.
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