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Ode à vagabundagem

A pior vida é a prática, cotidiana. O que decidimos chamar de trabalho é o mais característico fator da superficialidade humana. Tal é o trabalho, que chega-se a imaginá-lo como um Vingador, um Freeza, ou, na falta de um vilão maior, seu próprio chefe.

Vejam, por exemplo, a fórmula do trabalho, e o quanto ela leva-nos ao desespero:

Não digo que seja o desespero alarmante, mas um pior: o desespero ligado à desesperança, que é a mesma coisa. Desesperar é não possuir expectativa de evolução, é a extinção da subjetividade que leva ao sonho, tornando a vida do sujeito uma sucessão de procedimentos mecânicos, burocráticos, automáticos: eis o trabalho.

Sim, sim. Há os peraltas, homens de fibra, que burlam o trabalho, corrompem a rotina das engrenagens que levam a não-sei-aonde. Em verdade, esses não trabalham, seguem o ensinamento d’o elogio ao ócio de modo peculiar.

Um comentário

  1. Silvia Lopes

    Huauauauauauauauauhuhuhuhuhahuahuah!!!
    Qualquer coisa genial, esse texto!!
    No local onde eu trabalho, por exemplo, tem uma peraltinha, mulher de fibra, que sabe burlar o trabalho como ninguém, fingindo-se de doente, incapaz, e o pior é que todo mundo compra a encenação dela, e ainda fica com dó.
    E eu, trabalhando feito trouxa, enquanto há os que nada fazem e recebem um salário no fim do mês.
    Fazer o quê, né? sniff…

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"No Museu Dos Vencidos estão reunidos todos os papeizinhos com os discursos de agradecimento não lidos pelos perdedores de todos os prêmios."
Michel Melamed