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Almas Mortas

Li Almas Mortas, de Nikolai Gógol. O tal do Tchítchicov, herói da trama, é tão malandrão que até o leitor torce por suas indignidades. Trata-se de um ambicioso e ardiloso sujeito, sempre pilhado pelos desencontros da vida, fazendo-o perder e ganhar tudo ciclicamente, tal qual o jogador de cassino.

Por ter parte do manuscrito original queimado, Almas Mortas tem algumas descontinuidades, mas não deixa de ser boa obra, com a ironia que investe contra a corrupção e o provincianismo do povo russo – um correspondente um tanto mais frio do povo brasileiro. Ri-se um tanto e reflete-se um pouco com Gógol, não obstante a obssessão pela discussão da pátria, o que acaba deixando o romance menos universal.

Um comentário

  1. Claudio

    Acredito que justamente essa discussão sobre a Rússia é que torna Almas Mortas um romance universal, na medida em que a natureza humana não tem país…

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"No Museu Dos Vencidos estão reunidos todos os papeizinhos com os discursos de agradecimento não lidos pelos perdedores de todos os prêmios."
Michel Melamed