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Morena

uhn… dizem que às quintas as morenas fazem bem.

vai este post para tirar do topo as imagens de nietszche e charles dickens incomodamente alinhadas. (tenho cá algum transtorno obsessivo compulsivo?)

Nietszche

Aos desocupados, a se preocupar com devir, a morte de deus, liberdade, niilismo, história do conhecimento, super homem e outras parolas Nietszchianas, vai a edição seguinte do Café Filosófico, em sete partes, com Viviane Mosé ao centro:

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7

Do Envelhecimento

Levar-se pelas águas do cotidiano é arriscado à integridade de qualquer espírito. Eu, quando não tinha que fazer senão sonhar alcançar a intelectualidade, beirava a sensibilidade das convicções minhas e alheias – causa do que se chama “inconformismo” dos jovens. Sim, a nova idade se incomoda porque sente.

Deram-me, então, o que fazer, e sinto cada vez menos. Manter o espírito sem anestesia é tarefa pouco corriqueira, praticada com excelência por aqueles a quem devem ser chamados “artistas”. Ser artista é algo além da execução duma obra de arte: trata-se da questão de (não) formatação do espírito.

Já os normais, como parece me ocorrer, em uma palavra, envelhecem.

“Naquilo que importa, sou um homem sério, ou seja, um homem estranho. Estou totalmente devotado a uma causa, e às consequências dessa causa, e por isso passo por radical, eremita, malcriado, porém não posso ser sério sem ser estranho, a seriedade é incompatível com o «tudo como dantes», com grotescas amenidades, um homem sério precisa de ausências, manias, mutilações.”

brilhante, Pedro Mexia.

Da usura

Adjetivar-me não é lá tão difícil, mas ignoro e esnobo qualquer analista que chama-me “capitalista”, “econômico” ou mesmo “usurário”. Até admiro os que contam minuciosamente as moedas, sabendo quanto deve ou não gastar para ficar milionário nos próximos cem anos. Mas este não é eu.

O banco, por exemplo, pode roubar-me os poucos trocados sem que eu perceba o ardil. Entendam, pois, por que não voto nos tais socialistas e comunistas que discursam contra os banqueiros. Quem sabe um dia, quando aprender a dar o exemplo, pregando alguma peça nos Tios Patinhas que me roubam mensalmente.

Por ora, a economia é só de nervos.

Flu

A antipatia oriunda dos resfriados é dos grandes recursos para a lavratura de textos intolerantes e esnobes – literatura de alta qualidade, pois. A cabeça pesada estimula o recorte avulso dos retalhos, que são as palavras, e com a costura tosca deles, eis que temos a frase rústica, artesanal, despreocupada. Escrever em resfriado é das piores agonias dos que se metem às letras, é então nele que surgem as grandes obras.

não fossem as mentiras, que seria da mulher?

Vá lá… nem só de turbulências e atrasos é feito o viajar de avião.

Já o lamber, ahn…

Sem mãos, à massa dos animais restou a boca como centro de suas manifestações de afeto e desprezo. O ditado nosso que diz “a mão que afaga é a que bate” aos animais soa como “a mandíbula que lambe é a que morde”.

Os humanos amantes, esses engenhosos peraltas que costroem formas de prazer, subvertem essa lógica, e usam, por exemplo, a mordida em caráter afetuoso – mordiscadazinhas que acendem as vontades e exaltam a libido. O amante, ao morder, diz: “querida, poderia utilizar tal recurso para ferir-te, entretanto, converto-o em amorosa carícia”.

Já o lamber, ahn… Isso é coisa universalmente carinhosa em todas as espécies.

Alguns silêncios são tão significativos quanto milhões de palavras e expressões. Corrijo-me: os silêncios são mais significativos que as palavras. Calar-se pode ser um insulto e um galanteio. Uma acusação e um deboche.

Deslumbramentos, por Cesário Verde

Milady, é perigoso contemplá-la,
Quando passa aromática e normal,
Com seu tipo tão nobre e tão de sala,
Com seus gestos de neve e de metal.

[...]

Pois bem. Conserve o gelo por esposo,
E mostre, se eu beijar-lhe as brancas mãos,
O modo diplomático e orgulhoso
Que Ana de Áustria mostrava aos cortesãos.

[...]

Mas cuidado, milady, não se afoite,
Que hão de acabar os bárbaros reais;
E os povos humilhados, pela noite,
Para a vingança aguçam os punhais.

E um dia, ó flor do Luxo, nas estradas,
Sob o cetim do Azul e as andorinhas,
Eu hei-de ver errar, alucinadas,
E arrastando farrapos – as rainhas!

A Desgraça

A desgraça do homem surge várias vezes em vida, tal como uma tentação. “Vês? Tudo dá errado, és um incompetente. Aderes logo ao cemitério de espíritos, e vives em cobardia, ou joga tudo ao ar…”, diz a desgraça. Eis a sedução que se nos surge para compor as fileiras da omissão, da indolência.

as cores…

- Que vês de comum nas meninas que namorastes?

- A prudência e harmonia na utilização das cores. Veja a Juliana, por exemplo, que conheci em saia laranja, sapatilhas azuis e óculos de grossas armações brancas. Ou a Quitéria, em seu vestido salmão, e altos saltos verdes.

- A isso chamas de prudência?

- Talvez menos prudência e mais harmonia, decerto. Mas veja que trata-se de certa inteligência no ousar, que diz muito de suas personas.

- O diagnóstico das cores se confirmou no desenrolar dos relacionamentos? De fato, eram mulheres inteligentemente ousadas?

- Uhn… Quitéria tornou-se uma decepção com o tempo. Apesar das calcinhas minimalistas e dos seios impressionantemente rijos, chegou rápido ao vício do ciúme estapafúrdio. Já Juliana, traiu-me. Cedeu o umbigo e a barriga penugeada a uma outra boca, simultaneamente à minha.

- Então, as cores…

- As cores continuam me atraindo, caríssimo. Continuam me atraindo…

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"No Museu Dos Vencidos estão reunidos todos os papeizinhos com os discursos de agradecimento não lidos pelos perdedores de todos os prêmios."
Michel Melamed