Do Envelhecimento

Levar-se pelas águas do cotidiano é arriscado à integridade de qualquer espírito. Eu, quando não tinha que fazer senão sonhar alcançar a intelectualidade, beirava a sensibilidade das convicções minhas e alheias – causa do que se chama “inconformismo” dos jovens. Sim, a nova idade se incomoda porque sente.
Deram-me, então, o que fazer, e sinto cada vez menos. Manter o espírito sem anestesia é tarefa pouco corriqueira, praticada com excelência por aqueles a quem devem ser chamados “artistas”. Ser artista é algo além da execução duma obra de arte: trata-se da questão de (não) formatação do espírito.
Já os normais, como parece me ocorrer, em uma palavra, envelhecem.






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