Já o lamber, ahn…

Sem mãos, à massa dos animais restou a boca como centro de suas manifestações de afeto e desprezo. O ditado nosso que diz “a mão que afaga é a que bate” aos animais soa como “a mandíbula que lambe é a que morde”.
Os humanos amantes, esses engenhosos peraltas que costroem formas de prazer, subvertem essa lógica, e usam, por exemplo, a mordida em caráter afetuoso – mordiscadazinhas que acendem as vontades e exaltam a libido. O amante, ao morder, diz: “querida, poderia utilizar tal recurso para ferir-te, entretanto, converto-o em amorosa carícia”.
Já o lamber, ahn… Isso é coisa universalmente carinhosa em todas as espécies.






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