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Inferno

Todos passamos por certos infernos particulares. São ocasiões em que os ímpetos e talentos são utilizados em limites. Não fuja, caro leitor, de tal momento. Melhor: não tentes fugir.

Por ser impossível escapar dos infernos, vale admitir que se está nele, e, às vezes, tornar-se um seu participante ativo.

Os infernos foram feitos para serem deglutidos, saboreados, interpretados. Eis como o dito se elimina: não se querendo eliminá-lo.

não se deve confiar em duas comadres bem articuladas (juntas)

O que deve ser tema num ambiente de ficção? Justamente ela, a ficção. Entretanto, não se obsta ao autor duma obra de ficção implantar, ardilosamente, sorrateiramente, um pitaco de realidade – que, tal como uma bomba, explodirá na cara daquele que se aventura a vê-la como ela é, realidade. É daí que surge coisas como ‘a vida imita a arte’ ou ‘a realidade parece ficção’.

Decifra-me, ou devoro-te.

A política tem a curiosa peculiaridade de fazer com que o sujeito a ela dedicado enxergue apenas através de seus olhos. Passam urubus em seu céu e está ele a conjecturar que sejam espiões a querer intimidá-lo. Nada deixa de ser política ao homem que nela vive.

Pior que isso só a sanha do homem traído. Não há o que lhe resista à ideia do adultério.

Não há.

La vie en Rose

Mujeres

As mulheres são tema insistente neste blogue. Não por uma perversão escrota, ou qualquer artificialidade. As mulheres são temas por cá porque são o único tema necessário, importante e suficiente para um homem. Todo o resto são trivialidades que nos levam… Nos levam às mulheres.

Oh, Eva!

tsc tsc tsc. contenham-se, peraltas!

a traição, senhores, leva o homem às hipóteses. aos rastros, às minúcias. eis o que é grande ao homem traído: o pouco. a ponta de luz insistindo a passar pelas frestas. ou a tese é provada, ou ignora-se os vestígios, ou fica-se louco.

Aonde está dito que o poema é para ser entendido? Não, não digo que a poesia não possa ser interpretada, mas, de algum modo, a interpretação é avessa ao entendimento. Vê-se um povinho a enxotar a crucial possibilidade do poema, a desconexão e a a-linearidade.

Sugiro que se assista novelas na televisão. Sem mais.

Sobre calcinhas e sapatos

O que o homem expressa com os sapatos a mulher expressa com as calcinhas, me dizem. Circunstancialmente ou não. Eis a dificuldade em devassar a alma feminina. Salvo, naturalmente, as exceções – voluntárias ou não.

Uhn… Suspeito não ser esta uma analogia tão fundada.

“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.

Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.

Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”

Graciliano Ramos

Olhos, nus olhos.

O olhar do homem não é mais que magnético, aferidor de preço em supermercados. O olhar da mulher, para além do magnético, é um leitor estético.

O mancebo mede o valor, as pequenas interpretam a cor, as proporções e o odor.

O homem disseca, encara, tenta desnudar. A mulher soslaia, cria acidental olhar, e consgue da vergonha ao furor. O olho masculino é míope. O feminino é nu.

eis a elegância:

O balaio em que está posto o homem

Pôr-se em exposição é exercitar os sofisticados desejos da sedução. Os desejos de ser desejado, digo. Coisa invulgar, mesmo que repetida, cotidianamente reinventada, praticada. Parece ser o fomento do desejo o vetor, a força, a intensidade da vida.

“Olha aqui! Olha aqui! Aproveitem, estou eu em promoção neste balaio!”, anunciamos incansáveis.

Tratemos do homem imponente, o qual sequer abre uma ínfima fresta para a compreensão do que não seja ele. Carregado de teorias, é sempre o espertalhão. Valoriza prolixamente o suscinto, aposta vencedoramente no derrotado.

Grande formulador de teses eloquentes – impressionando mais por ser eloquente do que por ser tese.

Este tipo sempre sobreviverá, pois a sua antítese nunca o enfrentou, nem nunca irá fazê-lo. Este tipo, se muito, baba de lágrimas o travesseiro por uma pequena. Mas deste veneno, concordemos, todo homem saboreia.

Agreste. Origem. Mulheres.

Por aqui, no agreste, já vem fazendo um calor dos demônios – algo incômodo e rechaçado por intelectuais adoradores do que é europeu. Ao escuro do meu estúdio, iluminado pelo notebuque e pelo ranger dum velho ventilador, sou obrigado a suar proporcionalmente aos goles de café.

Fui à roça nestes dias. Visitar as origens, diga-se de passagem. Fiquei a saber que um tio obrigava meu pai a ficar na retaguarda dum burro, enquanto atiçava o muar a coicear meu genitor. Ou mesmo fazia o pobre garoto, à época, montar no bichinho até que lançasse papai ao chão. Certamente, uma origem real de minha ingenuidade – se é que não puxei a titio.

Mas, vá lá, a buchada, o sarapatel e o bode assado foram as partes mais importante da jornada.

Disse-me uma conhecida que neste blogue “o universo feminino é uma constante fonte de inspiração, excelentes abordagens”. Diria que a moça não está de todo errada, e talvez isso ocorra mais por incompreensão do que por entendimento. Não obstante minha natural inclinação a admirá-las, dir-se-ia que as não degluti nas tentativas de devorá-las.

Isso mesmo: improvisei a máxima “decifra-me ou devoro-te”, acreditando que decifrar vem depois de devorar. Uhn… Não façam isto em casa!

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"Insanidade é fazer a mesma coisa uma e outra vez e esperar resultados diferentes."
Einstein