dez 30, 2010
Retrospectivamente, olho para meus dedos, recordando como outrora eram finos, frágeis e sadios, muito mais sensíveis que esses que possuo. E não é a criança toda assim? Mais fina, frágil e sadia?
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Em minha adolescência, perseguindo o ímpeto da descrença (parecia-me elevado ser cético), sempre disse que virar o ano não era mais que virar um dia, ou uma hora. A visão está errada astrologicamente, além do mais, tratava-se de um preceito criado quando ainda não pagava contas…

Vocês lembram do primeiro beijo, cronologicamente falando? Eu não. Mas fora inesquecível o beijo que me excitou pela primeira vez, enquanto beijo. Embora não saiba o nome da pequena a quem devo este prazer.
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Aos meus tempos de infante credito muitos mitos, os quais ainda hoje me assombram. A mulher é o maior deles.
dez 28, 2010

Qual admiração não tenho pelo intelectual de província. Não o sujeito que nasce em província, e por coisa do destino torna-se intelectual. Mas aquele que resolve ser intelectual, por qualquer capricho ou devaneio, e vive a querer dominar uma tal província com seu gênio. Uhn… são uns pulhas esses homens.
Claro, não são intelectuais. Passam à distância dum Nelson, dum Russel, dum Luiz. Suas grandes obras são… São o anúncio de luxozinhos aqui e ali, vaidadezinhas tão enormes quanto a decisão de tornarem-se intelectuais.
Nunca vi um tipo desse salvar-se.
dez 27, 2010
“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.”
dez 22, 2010

Tenho adquirido uma habilidade interessante em detectar textos, conforme meu próprio instinto em detectar textos. Isto é: tenho uma visão ideal do que deve ser um texto, então, quando olho por cima as palavras, leio meio período dum texto, ou menos, digo: eis um texto bacana… ou não. Digno-me a lê-lo, ou não.
Esta é a sacanagem que a internet nos faz, achar que em rapidez e olhadelas pode-se saber a bacanez de uma leitura. (Perceberam que ‘bacanez’ certamente vem de ‘Baco’, e tudo, em fim, acaba em sacanagem?…).
Mas é. Em tempos de tuíte, blogue e orcute, tudo vai sendo mais pela variedade e celeridade, quase nada é profundo e denso – como dizem os criticozinhos quando querem desqualificar uma obra que não acham ‘densa’. Estou, com meu novo costume de detectar textos, apenas seguindo a perversidade de minha geração.
Sou, pois, um machadiano adepto aos novos fluxos virtuais. Logo, uma contradição.
dez 16, 2010

Há vezes em que o homem parece estar em seu limite. Não digo do homem que corre a maratona, e exausto desmaia por ausência de oxigênio ou outro insumo. Refiro-me à exaustão da alma. O homem findo, acabado, deixa de criar, não imagina, despreza e esnoba até a criação alheia, pois à exaustão que me refiro é própria a náusea de tudo e todos.
Talvez o leitor ingenuozinho não me entenda, por isso cito Sartre em sua Náusea:
“Quanto a mim, vivo sozinho, inteiramente só. Nunca falo com ninguém; não recebo nada, não dou nada. Faz já muito tempo que ninguém se preocupa com o que faço. Quando se vive sozinho, já nem mesmo se sabe o que é narrar: a verossimilhança desaparece junto com os amigos. Raramente um homem sozinho sente vontade de rir. Incomoda-me estar só.”
Eis a exaustão, patetas.
dez 16, 2010
o homem que sabe amar a mais caprichosa das damas, a solidão, sempre terá alguma felicidade a desenvolver…
dez 8, 2010
uma dama que tenha diginidade. eis do que precisa um homem…
