nausées

Há vezes em que o homem parece estar em seu limite. Não digo do homem que corre a maratona, e exausto desmaia por ausência de oxigênio ou outro insumo. Refiro-me à exaustão da alma. O homem findo, acabado, deixa de criar, não imagina, despreza e esnoba até a criação alheia, pois à exaustão que me refiro é própria a náusea de tudo e todos.
Talvez o leitor ingenuozinho não me entenda, por isso cito Sartre em sua Náusea:
“Quanto a mim, vivo sozinho, inteiramente só. Nunca falo com ninguém; não recebo nada, não dou nada. Faz já muito tempo que ninguém se preocupa com o que faço. Quando se vive sozinho, já nem mesmo se sabe o que é narrar: a verossimilhança desaparece junto com os amigos. Raramente um homem sozinho sente vontade de rir. Incomoda-me estar só.”
Eis a exaustão, patetas.






Um comentário
Doug
A exaustão nos é necessária para conhecermos nossos limites. O que nos incomoda é inverso ao que somos e gostamos. Às vezes, faz-se necessária tal náusea para nos descobrirmos e evoluirmos.
A perfeição é algo momentâneo que só existe devido a entropia deliberada das coisas.
Ótimo texto, Dom!
Grande abraço!
dez 17th, 2010
Comentar “nausées”