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uma cintura sem calcinha

A surpresa de enveredar a mão entre a coxa e o vestido, e sentir uma cintura sem calcinha.

Palavra do dia: estultície.

Não seria mau encerrar por aqui, neste gabinete – um cubo amarrotado de livros e poeira. Acompanha-me a clássica xícara cafeinada, a mão penteando o cabelo de vez em quando, o ranger da cadeira de girar – as cadeiras de girar são a melhor invenção que o homem criou após as mesas de girar (que facilitam pegar o açúcar para adoçar o café – se bem que “após”, aqui, se refere a “melhor”, não a qualquer elemento temporal).

Pois bem. Não seria mau.

E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria

Veloso, Caetano.

A tradição é a tradição, não se lhe nega impunemente. Olhe a tradição dos amores, dos casais por aí expostos e praticantes do, ahn… amor. Todos entrelaçando mãos públicas, compartilhando sorrisos incofessáveis à intimidade.

Que só a morte os separem.

Amém.

um desejo? a paz estável de um copo d’água.

Distrair-se do que é relevante. Relevar as traições. Revelar as trações e revê-las.

capricieux

Os grandes autores, em uma palavra, possuem fôlego. A literatura é tanto uma apneia, em que o escritor faz economia do ar em seus pulmões, poupando-se exaustivamente para a sobrevivência, quanto um grito contínuo, que carece de vigor, vida e ousadia para se prolongar. Nesta pneumologia das letras, admito-me um asmático compulsivo – e incurável.

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"Insanidade é fazer a mesma coisa uma e outra vez e esperar resultados diferentes."
Einstein