
uma cintura sem calcinha
A surpresa de enveredar a mão entre a coxa e o vestido, e sentir uma cintura sem calcinha.
Não seria mau encerrar por aqui, neste gabinete – um cubo amarrotado de livros e poeira. Acompanha-me a clássica xícara cafeinada, a mão penteando o cabelo de vez em quando, o ranger da cadeira de girar – as cadeiras de girar são a melhor invenção que o homem criou após as mesas de girar (que facilitam pegar o açúcar para adoçar o café – se bem que “após”, aqui, se refere a “melhor”, não a qualquer elemento temporal).
Pois bem. Não seria mau.
A tradição é a tradição, não se lhe nega impunemente. Olhe a tradição dos amores, dos casais por aí expostos e praticantes do, ahn… amor. Todos entrelaçando mãos públicas, compartilhando sorrisos incofessáveis à intimidade.
Que só a morte os separem.
Amém.
Os grandes autores, em uma palavra, possuem fôlego. A literatura é tanto uma apneia, em que o escritor faz economia do ar em seus pulmões, poupando-se exaustivamente para a sobrevivência, quanto um grito contínuo, que carece de vigor, vida e ousadia para se prolongar. Nesta pneumologia das letras, admito-me um asmático compulsivo – e incurável.
,






