boceta banal. bocejo boçal. bom seja. bom mau.

Há quem vanglorie a supremacia do intelecto sobre o corpo. Nunca há quem pense o contrário. Ou melhor, nunca há quem declare o contrário.
Entre as mulheres machistas, as piores são aquelas que evitam gozar. Entre os homens machistas, não há aquele que se não agrade de fazer uma mulher gozar. E, creiam: tal sentimento de elevação não é uma deferência a ela, mas uma ode a seu próprio ego. Trata-se de um caractere moralmente perverso, mas hedonistamente aproveitável.
Agora não voto mais em quem corre risco de eleger-se. É melhor ao coração que meus políticos sempre permaneçam na oposição.
Entendam: casar-se é consequência, não causa. Não se procura alguém para casar. Acha-se alguém, e, puff… casa-se.
Não, o café não serve para me pôr acordado – o café me serve de companhia, conselheiro, orientador. Ter o café como anti-sonífero (fugiu-me agora adjetivo adequado), é o mesmo que ter o abraço como estimulante sexual – entendimento raso e insensível.
O sono sempre me teve um papel secundário: é demais possuir hora exata para dormir, como se tal atividade exigisse um compromisso ou uma agenda. “Oh, como assim? Vais dormir após a meia noite?”, dizem os carolas. O sono, parece-me, foi feito para o cansaço – cansa-se e, posteriormente, dorme-se. Eis o respeito ao corpo.
Vá lá que existem trabalhos e brinquedos que exigem descanso; mas aí está o preço da liberdade, que é o avesso das rotinas.
“Acocorar” é um verbo engraçado. Talvez por remeter à onomatopéia do cacarejar da galinha: “cocó”. E por ser a galinha um bicho engraçado (por não voar tendo penas ou por ter sido associado ao sexo fácil?). Com efeito, seria útil trocar “cacarejar” por “acocorar”. O problema se impõe, entrentanto, ao substantivo – qual palavra substituiria o cacarejo?
Cá isto é uma autobiografia fragmentada? Não. Certamente é um fragmento de uma autobiografia.
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