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O peralta do Gógol

“Apesar de já haverem transcorridos oito anos desde as suas bodas, cada um deles ainda trazia para o outro, todos os dias, ora um pedacinho de maçã, ora uma balinha, ora uma avelãzinha, e dizia em tom comovente e terno, expressando um amor total: ‘Abre, benzinho, a boquinha, que eu te darei este bocadinho’.”

Que peralta, este Gógol, não?

Uma bichinha complicada com uma poesia não menos densa.

Que coisa. Não é que esqueci de O Outro, a sete do disco aí de baixo, cantado por Adriana Calcanhoto? Sim, sim… E trata-se de um poema de Mário de Sá-Carneiro musicado por ela, autora da homenagem ao poeta português feita aqui no título.

Ahnm… Sá-Carneiro é para mim um gênio. Prova é seu Caranguejola, que deixo com vocês por hoje:

Caranguejola

Ah, que me metam entre cobertores,
E não me façam mais nada!…
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!

Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado…
Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira…
Façam apenas com que eu tenha sempre a meu lado
Bolos de ovos e uma garrafa de Madeira.

Não, não estou para mais; não quero mesmo brinquedos.
P’ra quê? Até se mos dessem não saberia brincar…
Que querem fazer de mim com estes enleios e medos?
Não fui feito p’ra festas. Larguem-me! Deixem-me sossegar!…

Noite sempre p’lo meu quarto. As cortinas corridas,
E eu aninhado a dormir, bem quentinho – que amor!…
Sim: ficar sempre na cama, nunca mexer, criar bolor -
P’lo menos era o sossego completo… História! Era a melhor das vidas…

Se me doem os pés e não sei andar direito,
P’ra que hei-de teimar em ir para as salas, de Lord?
Vamos, que a minha vida por uma vez se acorde.
Com o meu corpo, e se resigne a não ter jeito…

De que me vale sair, se me constipo logo?
E quem posso eu esperar, com a minha delicadeza?
Deixa-te de ilusões, Mário! Bom édredon, bom fogo -
E não penses no resto. É já bastante, com franqueza…

Desistamos. A nenhuma parte a minha ânsia me levará
P’ra que hei-de então andar aos tombos, numa inútil correria?
Tenham dó de mim. C’o a breca! levem-me p’rá enfermaria -
Isto é: p’ra um quarto particular que o meu pai pagará.

Justo. Um quarto de hospital – higiénico, todo branco, moderno e tranquilo;
Em Paris, é preferível, por causa da legenda…
De aqui a vinte anos a minha literatura talvez se entenda;
E depois estar maluquinho em Paris, fica bem, tem certo estilo…

Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras,
Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou.
Agora no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras.
Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo o mais acabou.

Mário de Sá-Carneiro

Brilhante, não?

um belo sujeito

Cauby Peixoto

“Passo o dia em casa me ouvindo” – Cauby Peixoto.

Marca Cristã

Mexia, em Lei Seca:

Além da metafísica, conservo uma marca genética cristã: não aceito um inquestionável domínio do mais forte sobre o mais fraco. Não há regras «naturais» inevitáveis. A civilização contraria o que a natureza determina. Através da ética, por exemplo. E a minha ética é que os homens são desiguais mas têm igual dignidade. A dialéctica do senhor e do escravo pode ser muito inteligente e dar muita ponta, mas é intrinsecamente iníqua.

Vanguarda

Vanguardado Ryot IRAS, no Inagaki.

Talvez não seja mais do que o meu sonho…
Esse sorriso será para outro, ou a propósito de outro
Loura débil…

Álvaro de Campos

Mulher de Um Homem Só

Lançamento São Paulo

Lançamento Rio de Janeiro

Como diz o Alex, saiba mais, ou compre.

Com a palavra, Cleycianne…

Cleycianne

Citações do mais novo blog brasileiro de humor:

“A Bíblia não condena os vegetarianos, eles são pessoas normais. No caso de Angelina ela esta cometendo erros em não seguir o seu marido Brad Pitt, pois como todos sabemos quando a mulher se casa ela tem que ser submissa ao seu marido, que vai ditar as regras e o comando da casa. Levando em consideração que Angelina é uma pecadora que usava drogas e saia com pessoas do mesmo sexo, Brad Pitt devia ficar bem longe dela, já que ele é uma pessoa normal que nunca teve relações homosexuais.”

“Essa ex participante do Big Brother, chamada Maíra, tem um filho lindo, pena que não tem familia formada (coisa que prezo muito), e ainda apareceu na internet fazendo o que nenhuma mulher deveria fazer na vida: Sexo Oral. Eu fiz, me arrependo, mas hoje sou outra pessoa. Glória a Deus!!”

“Eu não sou nem louca de ir ao cinema ver esse filme (Harry Potter) obscuro de magia das trevas, é realmente triste como esse livro vazio de Cristo e cheio de referências ao satanismo, magia negra e feitiçaria caiu no gosto dos nossos jovens!!”

Quem clicar na imagem ri mais.

Brega

A propósito da chiada do texto anterior, deixo o que diz a madastra dos burros:

A palavra brega deriva da Rua Manuel da Nóbrega, em Salvador, rua esta que ficava numa região de meretrício da capital baiana. Com o tempo, a primeira sílaba da placa com o nome da rua foi ficando corroída e as pessoas passaram a se referir aos prostíbulos dessa região como “brega”. A partir disso, o termo se espalhou e, até os anos 1970, tinha também o sentido de “desordem”, “confusão”, através de expressões como: “isto aqui está o maior brega!”, “que brega é esse?”, etc, associando um ambiente, ou situação qualquer, ao caos de um “brega”

Modéstia

De Arthur Schopenhauer:

“Quem fez da modéstia uma virtude esperava que todos passassem a falar de si próprios como se fossem idiotas.

O que é a modéstia senão uma humildade hipócrita, através da qual um homem pede perdão por ter as qualidades e os méritos que os outros não têm?”

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"Talvez não seja mais do que o meu sonho...
Esse sorriso será para outro, ou a propósito de outro
Loura débil...
Álvaro de Campos