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A religião do nosso homem

“Admito Deus, pagador celeste dos meus trabalhadores, mal remunerados cá na terra, e admito o diabo, futuro carrasco do ladrão que me furtou uma vaca de raça. Tenho portanto um pouco de religião, embora julgue que, em parte, ela é dispensável num homem.”

Graciliano Ramos, em São Bernardo

“O problema está em não haver um critério objectivo que nos permita distinguir as coisas ‘más’ das coisas ‘boas’. Estas duas palavras servem para mostrar o que pensamos das coisas e como desejamos vê-las consideradas. Considero a crueldade e o assassínio em massa coisas más e desejava que todos concordassem com a minha opinião. Isto não evita que outros desejam tanto a crueldade como o assassínio em massa, tal como demonstra o procedimento de todos os que ocupam posições de mando e da maioria da humanidade.” – Bertrand Russell

Nelson Rodrigues, ora…

“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.”

“Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes.

Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota.

Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.”

Graciliano Ramos

Nietszche

Aos desocupados, a se preocupar com devir, a morte de deus, liberdade, niilismo, história do conhecimento, super homem e outras parolas Nietszchianas, vai a edição seguinte do Café Filosófico, em sete partes, com Viviane Mosé ao centro:

Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7

“Naquilo que importa, sou um homem sério, ou seja, um homem estranho. Estou totalmente devotado a uma causa, e às consequências dessa causa, e por isso passo por radical, eremita, malcriado, porém não posso ser sério sem ser estranho, a seriedade é incompatível com o «tudo como dantes», com grotescas amenidades, um homem sério precisa de ausências, manias, mutilações.”

brilhante, Pedro Mexia.

Deslumbramentos, por Cesário Verde

Milady, é perigoso contemplá-la,
Quando passa aromática e normal,
Com seu tipo tão nobre e tão de sala,
Com seus gestos de neve e de metal.

[...]

Pois bem. Conserve o gelo por esposo,
E mostre, se eu beijar-lhe as brancas mãos,
O modo diplomático e orgulhoso
Que Ana de Áustria mostrava aos cortesãos.

[...]

Mas cuidado, milady, não se afoite,
Que hão de acabar os bárbaros reais;
E os povos humilhados, pela noite,
Para a vingança aguçam os punhais.

E um dia, ó flor do Luxo, nas estradas,
Sob o cetim do Azul e as andorinhas,
Eu hei-de ver errar, alucinadas,
E arrastando farrapos – as rainhas!

Oxigênio.

Vivo em uma cidade provinciana e deveras desidiosa com as artes. Feira de Santana, um agreste município de coronéis e famílias, digamos, nobres. Ou melhor, em itálico e aspas: “nobres”.

Por isso, venho fazer apologia a duas fantásticas iniciativas: a Revista Transa e o Feira Coletivo Cultural. Oxigênio para os pulmões de qualquer desacreditado feirense.

‘Sofro torturas morais por me ter masturbado no ano passado…’

Em 1964 João Gulart caía. E este senhor cá de baixo, que fazia?

Respondia a carta seguinte dum jovem mancebo:

«… Tenho muito interesse em saber o que pensa sobre a masturbação… Sofro torturas morais por me ter masturbado no ano passado… Tenho lido que o sentimento de culpa dos adolescentes que se masturbam se não pode apagar, estou arrependido e à beira do suicídio. O Sr. é a minha última esperança; poderia ter a bondade de me ajudar a resolver o meu problema?…»

Que responde nosso herói? Segue:

24 de Dezembro de 1964

Caro Senhor:

… No que respeita à masturbação, acontece praticamente a todos durante a adolescência. O conceito de que é perversa ou prejudicial é uma invenção cruel dos mais velhos para meterem os mais novos na ordem. O seu sentimento de culpa está deslocado, porque a masturbação não prejudica nada nem ninguém.

Russel, Bertrand Russel.

A amizade possível, por Pedro Mexia

Ai, como queria ter escrito isto:

Há quem viva obcecado com a dimensão ética da amizade. Compreendo, também tenho essa tendência, e passei pelos inevitáveis percalços como culpado e como vítima. Mas muitas vezes a história de uma amizade não passa pela ética. Depende de factos objectivos, como mudanças de cidade ou casamentos. E no meu caso tem também passado pela falta de empatia. Em momentos chaves da minha vida, fiquei sem amigos apenas por ausência de empatia. Ninguém cometeu nenhuma falha ética, mas eu falava outra língua, uma língua que os meus amigos não entendiam. Até aí, eu julgava que a amizade era uma escolha. Hoje, sei que é apenas a arte do possível.

Leiam o Lei Seca.

o pote todo dia vai à fonte, mas um dia ele quebra…

devagar com o andor, pois o santo é de barro.

O peralta do Gógol

“Apesar de já haverem transcorridos oito anos desde as suas bodas, cada um deles ainda trazia para o outro, todos os dias, ora um pedacinho de maçã, ora uma balinha, ora uma avelãzinha, e dizia em tom comovente e terno, expressando um amor total: ‘Abre, benzinho, a boquinha, que eu te darei este bocadinho’.”

Que peralta, este Gógol, não?

Uma bichinha complicada com uma poesia não menos densa.

Que coisa. Não é que esqueci de O Outro, a sete do disco aí de baixo, cantado por Adriana Calcanhoto? Sim, sim… E trata-se de um poema de Mário de Sá-Carneiro musicado por ela, autora da homenagem ao poeta português feita aqui no título.

Ahnm… Sá-Carneiro é para mim um gênio. Prova é seu Caranguejola, que deixo com vocês por hoje:

Caranguejola

Ah, que me metam entre cobertores,
E não me façam mais nada!…
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!

Lã vermelha, leito fofo. Tudo bem calafetado…
Nenhum livro, nenhum livro à cabeceira…
Façam apenas com que eu tenha sempre a meu lado
Bolos de ovos e uma garrafa de Madeira.

Não, não estou para mais; não quero mesmo brinquedos.
P’ra quê? Até se mos dessem não saberia brincar…
Que querem fazer de mim com estes enleios e medos?
Não fui feito p’ra festas. Larguem-me! Deixem-me sossegar!…

Noite sempre p’lo meu quarto. As cortinas corridas,
E eu aninhado a dormir, bem quentinho – que amor!…
Sim: ficar sempre na cama, nunca mexer, criar bolor -
P’lo menos era o sossego completo… História! Era a melhor das vidas…

Se me doem os pés e não sei andar direito,
P’ra que hei-de teimar em ir para as salas, de Lord?
Vamos, que a minha vida por uma vez se acorde.
Com o meu corpo, e se resigne a não ter jeito…

De que me vale sair, se me constipo logo?
E quem posso eu esperar, com a minha delicadeza?
Deixa-te de ilusões, Mário! Bom édredon, bom fogo -
E não penses no resto. É já bastante, com franqueza…

Desistamos. A nenhuma parte a minha ânsia me levará
P’ra que hei-de então andar aos tombos, numa inútil correria?
Tenham dó de mim. C’o a breca! levem-me p’rá enfermaria -
Isto é: p’ra um quarto particular que o meu pai pagará.

Justo. Um quarto de hospital – higiénico, todo branco, moderno e tranquilo;
Em Paris, é preferível, por causa da legenda…
De aqui a vinte anos a minha literatura talvez se entenda;
E depois estar maluquinho em Paris, fica bem, tem certo estilo…

Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras,
Se quiseres ser gentil, perguntar como eu estou.
Agora no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras.
Nada a fazer, minha rica. O menino dorme. Tudo o mais acabou.

Mário de Sá-Carneiro

Brilhante, não?

um belo sujeito

Cauby Peixoto

“Passo o dia em casa me ouvindo” – Cauby Peixoto.

Marca Cristã

Mexia, em Lei Seca:

Além da metafísica, conservo uma marca genética cristã: não aceito um inquestionável domínio do mais forte sobre o mais fraco. Não há regras «naturais» inevitáveis. A civilização contraria o que a natureza determina. Através da ética, por exemplo. E a minha ética é que os homens são desiguais mas têm igual dignidade. A dialéctica do senhor e do escravo pode ser muito inteligente e dar muita ponta, mas é intrinsecamente iníqua.

Vanguarda

Vanguardado Ryot IRAS, no Inagaki.

Talvez não seja mais do que o meu sonho…
Esse sorriso será para outro, ou a propósito de outro
Loura débil…

Álvaro de Campos

Mulher de Um Homem Só

Lançamento São Paulo

Lançamento Rio de Janeiro

Como diz o Alex, saiba mais, ou compre.

Com a palavra, Cleycianne…

Cleycianne

Citações do mais novo blog brasileiro de humor:

“A Bíblia não condena os vegetarianos, eles são pessoas normais. No caso de Angelina ela esta cometendo erros em não seguir o seu marido Brad Pitt, pois como todos sabemos quando a mulher se casa ela tem que ser submissa ao seu marido, que vai ditar as regras e o comando da casa. Levando em consideração que Angelina é uma pecadora que usava drogas e saia com pessoas do mesmo sexo, Brad Pitt devia ficar bem longe dela, já que ele é uma pessoa normal que nunca teve relações homosexuais.”

“Essa ex participante do Big Brother, chamada Maíra, tem um filho lindo, pena que não tem familia formada (coisa que prezo muito), e ainda apareceu na internet fazendo o que nenhuma mulher deveria fazer na vida: Sexo Oral. Eu fiz, me arrependo, mas hoje sou outra pessoa. Glória a Deus!!”

“Eu não sou nem louca de ir ao cinema ver esse filme (Harry Potter) obscuro de magia das trevas, é realmente triste como esse livro vazio de Cristo e cheio de referências ao satanismo, magia negra e feitiçaria caiu no gosto dos nossos jovens!!”

Quem clicar na imagem ri mais.

"Insanidade é fazer a mesma coisa uma e outra vez e esperar resultados diferentes."
Einstein