palavra do dia: ignomínia.
Atividade Intelectual

Vivi algum tempo de desfalecimento intelectual, alguns meses em que as leituras e artes escassearam em meu cotidiano. Estar novamente envolvido por livros, ideias e amarguras comuns aos clarões do pensamento é, de fato, prazeroso.
Em termos de leitura, volto por esses dias aos poetas da terra nordestina. Uns já íntimos, outros, vá lá, conhecidos de vista. Por ter tratado disso, lembro-me inevitavelmente de José Lins do Rêgo em Banguê, obra primeira em minha carreira enquanto leitor, marcantemente excitante.
Também vou a ler coisas do ofício, e não deixo de lado alguma história e temas interessantes (alguém indicaria textos ou obras sobre prostituição?).
No mais, preciso dedicar-me mais à fotografia, ao design gráfico e à música. Vamos à frente!
Almas Mortas

Li Almas Mortas, de Nikolai Gógol. O tal do Tchítchicov, herói da trama, é tão malandrão que até o leitor torce por suas indignidades. Trata-se de um ambicioso e ardiloso sujeito, sempre pilhado pelos desencontros da vida, fazendo-o perder e ganhar tudo ciclicamente, tal qual o jogador de cassino.
Por ter parte do manuscrito original queimado, Almas Mortas tem algumas descontinuidades, mas não deixa de ser boa obra, com a ironia que investe contra a corrupção e o provincianismo do povo russo – um correspondente um tanto mais frio do povo brasileiro. Ri-se um tanto e reflete-se um pouco com Gógol, não obstante a obssessão pela discussão da pátria, o que acaba deixando o romance menos universal.
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