jan 27, 2012
Uma amiga disse-me que teve um namorado belo de corpo, embora feio de espírito. Não creio muito nesta bipartição, já que alguns elementos dão indício de certa unidade interdependente entre “corpo” e “alma”. Um belo olhar, por exemplo, carece da matéria orgânica dos olhos, e de certa orientação intelectiva para se manifestar. O que chamam “elegância” é nada menos que este conjunto de caracteres. Se existe corpo e espírito, ambos se influenciam mutuamente, não havendo possibilidade de um espírito ser o mesmo sem tal corpo, nem um tal corpo ser o mesmo sem um tal espírito. Mas admitir isto seria provocar o entendimento de que não há diferença entre a venda do corpo (o meretrício) e a venda do espírito (a docência, por exemplo). Grande dificuldade – ao menos cultural.
dez 23, 2011
Expôs o pescoço como que pedindo o beijo, o lábio que atentasse para aquele calor – por isso pôs o cabelo pendurado na orelha. Teve o que quis: lábios e pontas de língua e dentes, e um pouco de saliva para assentar a penugem do pescoço. A mesma que se manifestava próximo ao umbigo.
dez 6, 2011
sempre isto se atualiza à madrugada: trata-se de um cometimento tão bárbaro e grave quanto os mais graves e bárbaros crimes. homicídio: dos meus pudores intelectuais.
nov 10, 2011
As intrigas femininas são proporcionalmente irracionais à compulsão sexual masculina.
out 27, 2011
A surpresa de enveredar a mão entre a coxa e o vestido, e sentir uma cintura sem calcinha.
set 23, 2011

agora, consumado o adultério, nenhuma reflexão roçava-lhe o arrependimento. em verdade, foi bem como visitar um país estrangeiro, explorar um campo virgem de seus pudores. uma conquista, pois.
abr 16, 2011
Passava os dedos entre os fios do cabelo dela quando no beijo – tendo pousado naquela nuca quente a palma da mão. Ora ela deixava os lábios indolentes, frouxos, à deriva e ao comando da outra língua. Ora quase enfurecia de tesão, e mordia os lábios que a pouco eram determinantes.
mar 31, 2011
mulher cretina
colhe retina
mar 31, 2011
onomatopeia é uma centopeia a jogar ono-um.
mar 10, 2011
Há no sexo uma agressividade inevitável, elementar. O carinho, no sexo, é uma semiagressividade: o tapa é o toque menos sutil, que virará carícia. O arranhão, no sexo, é o alisar em que a unha se intromete.
jan 30, 2011
oh… não me venham dizer que sujeitos que possuem pêlos na orelha não são ranzinzas.
jan 11, 2011

A culinária transcende o encher-se de comida. Um bom prato é um bom ritual, tem sabor, cheiro, textura, cor, arrumação. E há, naturalmente, o elemento individual: há quem goste ou não de salmão. Há quem goste ou não de beterraba.
E não é que “comer” tem algo da filosofia presente no sexo?
jan 9, 2011
Chupar é uma palavra feia, considero. Porém, é um ato exclusivo ao homem, e, por isso, superior. Ora… pensar é exclusivamente humano, e por tanto, é nobre.

Há quem não se aproveite muito de qualquer dessas faculdades eminentemente humanas, há quem veja mais prazer em uma ou n’outra.
Claro… “Chupar” aqui não se refere a frutas ou doces, nem “pensar” se refere a Paulo Coelho, bobos.
nov 23, 2010
O que o homem expressa com os sapatos a mulher expressa com as calcinhas, me dizem. Circunstancialmente ou não. Eis a dificuldade em devassar a alma feminina. Salvo, naturalmente, as exceções – voluntárias ou não.


Uhn… Suspeito não ser esta uma analogia tão fundada.
set 14, 2010
não fossem as mentiras, que seria da mulher?
set 9, 2010

Sem mãos, à massa dos animais restou a boca como centro de suas manifestações de afeto e desprezo. O ditado nosso que diz “a mão que afaga é a que bate” aos animais soa como “a mandíbula que lambe é a que morde”.
Os humanos amantes, esses engenhosos peraltas que costroem formas de prazer, subvertem essa lógica, e usam, por exemplo, a mordida em caráter afetuoso – mordiscadazinhas que acendem as vontades e exaltam a libido. O amante, ao morder, diz: “querida, poderia utilizar tal recurso para ferir-te, entretanto, converto-o em amorosa carícia”.
Já o lamber, ahn… Isso é coisa universalmente carinhosa em todas as espécies.