
Não me tens. Não me tens. Não me tens.

o prazer de fazer uma guirlanda de margaridas vale o esforço de se levantar e colher as flores?

agora, consumado o adultério, nenhuma reflexão roçava-lhe o arrependimento. em verdade, foi bem como visitar um país estrangeiro, explorar um campo virgem de seus pudores. uma conquista, pois.
Digitava freneticamente textos eróticos enquanto bebia uísque. Dose extrovertida, com três pedras de gelo. Era o tiquetram do teclado acompanhando o tlimtlenque dos cubos nas paredes do copo. Era tudo que ela não era aqueles contos – uma noviça material, boba e mal vestida. Mas tomava uísque, e escrevia textos eróticos.
Que é a primeira mulher da vida de um homem? Aquela com a qual se faz o primeiro coito? Difícil critério, tendo em vista os semicoitos, as putarias, as idas e vindas marotas por entre pernas e bustos que marcam a vida. A primeira paixão? Como? Se geralmente o sujeito nem toca esta inalcançável figura que permeia seus sonhos e frustrações? (Aqui cabe um parêntese para dizer que o primeiro coito nunca é a primeira paixão, pois esta última não é tocável, não possui sexo).
Há um amigo que diz-me que não se saberá em vida quem se trata de primeira mulher, pois esta é aquela que mais chora ao caixão do homem, então defunto. Naturalmente, percebe-se que o pulha usa o adjetivo competitivamente, tendo ‘primeira’ como a mais insistente, não como a cronologicamente mais antiga.
Sugiro que se use o ‘primeira’ circunstancialmente. Há dia que a primeira é fulana, há dia que a primeira é cicrana. Há quem tenha a primeira e única. Há quem tenha empates. Eis a teoria da primeira mulher.
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