
das expressões, a mais natural delas faz-se no coito.

Chegou à casa dela após alguns dias de recesso: as férias entre o dia que descobrira a traição e o pleno arrependimento da descoberta. Sim, pois apesar do erro ter sido cometido por ela, há paixões que suplantam qualquer parâmetro social, ético, moral. Com ele era isso, danassem-se a opinião e os valores, que estavam mais dentro dele do que em outro canto, já que ninguém sabia de tudo certamente.
Entrou, falou à irmã e encontrou-a em camisola, deitada na sala. Eram as mesmas pernas, os mesmos pés e dedos, a mesma boca e seios que deixara emprestar a outro, supunha ele.
Entre a suposição e a prova só houve ela levantar-se e dizer: “perdão”. Ali no sofá, ao lado do controle remoto, deitou-se ela, encurvou-se ele, e sob a emoção do risco de serem flagrados, provaram-se o quanto de vulgar e imoral tinham.

Não fossem os cúmplices, o que seria dos apaixonados? A empregada doméstica que se dispõe sair com a jovem senhorita, acoitando o encontro com o vizinho. A tia, que é obrigada pela sobrinha a convidá-la a passar dias em sua casa, para que a jovem encontre seu enamorado. O amigo, que marca um jogo de futebol com toda a turma, em função do adultério de seu companheiro.
Quem não foi ou nunca teve desses cúmplices nunca amou. Trata-se de um papel dramático, novelesco até. Vai de encontro com toda encenação que exercemos em sociedade, descaracteriza o moralismo hipócrita necessário à manutenção do status quo. Ser cúmplice do amor é ser um tanto imoral, deliciosamente imoral.
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"Considero a crueldade e o assassínio em massa coisas más e desejava que todos concordassem com a minha opinião. Isto não evita que outros desejam tanto a crueldade como o assassínio em massa, tal como demonstra o procedimento de todos os que ocupam posições de mando e da maioria da humanidade."
Bertrand Russel