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Sua obliquidade era a residência de sua mesquinhez.

Não sabia que era impossível. Foi lá e morreu tentando.

Era um sujeito de ombros semicurvados, quase peitudo, não fosse a saliência abdominal acentuada. Nariz de panela. Pouco complexo, salvo a mania de manipulação implícita, sem confrontos argumentativos. Como se diz em boticas da baixa gente, um “bosta”.

Os troll’s denunciados

O termo “troll” tem se inserido no populacho. Trata-se do indivíduo, digamos, implicante, uma espécie de duende que satisfaz-se sempre com discordâncias e peraltices gratuitas, irritando um terceiro. Para além do uso massivo do termo, houve aqui uma denúncia: sabe-se agora que certos esquerdistas não passam de troll’s. Implicantes e irritadiços, sua ideologia é discordar – ao menos enquanto não alcançam o poder.

Se as abas de livros servissem para marcar páginas, suas orelhas serviriam para tapar sua boca. Estúpido.

Não servem para algo as tais abas de livros: apenas algum célebre que tece loas ao autor sem, muitas vezes, ter lido a obra. Não ler abas de livros é uma economia de tempo, e a fuga dessas influenciazinhas dos ‘formadores de opinião’.

Há a impressão de que sempre o contexto é o condicionante do desdobramento das coisas. Em resumo, ninguém decide porra nenhuma.

São intoleráveis os tititis das madamas. As intrigas, a contagem dos lucros e prejuízos alheios. Ora, se o Ministro é traído, que seja o Ministro traído. Se o Motorista é avarento, que seja avarento o Motorista. Vão pinicar os dedos de agulhas em costura, ô…

Sobre filhos da puta e filhos de papai

Fala-se muito do filho da puta. Seria, parece-me, o sujeito que é sem referência paterna ou materna digna. E digno, aqui, naturalmente, refere-se a um status ahn… capitalista. O filho da puta é, assim, mal nascido. Nada que o sujeito possa escolher – ou se nasce ou não se nasce filho da puta.

Há também o filho de papai, estes pequenos que já nascem com o carimbo da família, o pedigree. Chega a um lugar e já é apontado: eis o filho de fulano. Tem então respeito, diginidade e até um uísque por conta da casa.

O problema é que os filhos da puta nada precisam provar, embora alguns deles provem algo – e tornam-se papais de filhos. Já os filhos de papai, geralmente, provam que são filhos. Não muito mais.

 

Uma CPI como jamais se viu

Li em um site de notícias que, do maior escândalo de todos os tempos da última semana em Brasília se fará uma “uma CPI como jamais se viu”. Que seria da imprensa sem a expectativa do ineditismo?

Pff…

Vota-se no Brasil sobre a legalidade do aborto de fetos anencéfalos. Sem cérebro. Impossibilitados de viver, pois. Há quem seja contra. Talvez estejam corretos, e protejam este tipo de “gravidez” por identificação com a locução adjetiva “sem cérebro”. Pff…

 

Sucedem-se, durante a vida, inúmeras mortes. Bebês, deixamos de não pisar o chão para pisá-lo. Crianças, abandonamos o amor da vizinha, pela necessidade-da-família-viver-em-lugar-melhor. Adolescentes, perdemos o contato com a turma da escola. Adultos, quase professores em mortes, submetemo-nos acostumadamente a diversas perdas próprias e alheias.

E há quem creia que a morte última dói. Tsc.

Viva cada dia como se fosse seu último dia – caso queira pagar os juros por ter gastado tudo o que possuía.

É curioso como os outros nos são tão importantes, ao menos quando vamos tomar certa decisão particular. Seria adequado que soubéssemos o quanto cada olhar de galhofa é circunstancial e, digamos, passageiro. O outro nos censura por cinco segundos, e vai almoçar, nadar no rio e empinar pipa. O sujeito, entretanto, carregará sua decisão para o resto do que chamam vida. Mas como há quem se abrace àqueles míseros e miseráveis cinco segundos…

Conselho solidário: desconfie da solidariedade.

Há quem mereça ser ouvido. Há quem mereça ser entendido. Há quem mereça ser acatado. Confundir um desses tipos com qualquer outro pode ser trágico ao senhor de um reino, ou ao dono de uma bicicleta.

 

A imprensa engana o povo. A imprensa esgana o povo. A imprensa engasga o povo.

O dia se apresenta com rituais e repetições. A vizinha abre o portão, tira o auto da garagem, fecha o portão, vai ao trabalho. O caminhão de gás passa com a mesma melodia. Os pássaros cantam, como de costume. Não pensam em seus atos, agem por instinto.

Voltaram ao Brasil, cansados daquele povo insosso.

 

Foram-se à Suiça, cansados do subpovo que habitava aquela pátria infame.

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"Insanidade é fazer a mesma coisa uma e outra vez e esperar resultados diferentes."
Einstein