jan 5, 2010

Existem indivíduos recessivos e indivíduos dominantes. E, sim, existem aqueles intermediários, tal qual nos ensina Mendel.
Os recessivos são particularmente admiráveis, dada sua escassez e raridade. Não se manifestam com facilidade, e são submetidos ao opróbrio na presença dos dominantes. O sujeito recessivo vive com risos pequenos no canto da boca, olha com desdém para cantos desinteressantes e concorda discordando das manifestações dominantes.
Ora, o dominante. Trata-se do cara espalhafatoso, impositor e efusivo. Não, geralmente não tem razão, ou quando tem deixa de ter pelo modo que a impõe. O mancebo dominante grita e ri com dedo em riste, e sonega tudo que não se volta a si.
Já o intermediário é um e outro em dependendo da ocasião. Um maria-vai-com-as-outras. Uma puta.
jul 20, 2009

Perdoem-me, mas diálogos são relações complexas. A incompreensão disto gera conflitos desagradáveis, levando sempre uma das partes a ver o outro como um inconveniente: o verdadeiro anti-social.
Lá está você sentado a esperar a chegada de seu vôo, quando um pulha diz o quanto está frio, que mulheres só querem saber de gastar e que não é fácil criar filhos. E começa a fazer um estudo de banalidades, dissecando as coisas com a (i)lógica genérica da massa. Sim, dizemos com a cabeça e com palavras estéreis – “pois é”, “exatamente”, “oh, sim”…
De quando em quando você, o intolerante, olha para a boca e os dentes do pirata, certamente amarelos e mal cuidados, e sente algo como uma ojeriza. Os sapatos rotos, a coluna encurvada, a barriga com certa saliência lipídica: tudo indica o quão trivial é o indivíduo.
Nesse instante, o cheiro do desinfetante do banheiro é mais atraente, ou mesmo sair para repetir a dose de café. Tudo para subtrair-se ao – verdadeiro – anti-social.