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Quem mais se castiga por ter que fazer burocracias?

Isto é uma Província

Reconhece-se uma província facilmente, pelos quatro ou cinco nomes que dominam as conversas nas esquinas. São lugares onde a unanimidade prevalece, e as oposições não são de se anular, antes, somam-se.

Vá o estrangeiro do ambiente pacífico empossado na província querer dissentir do que está posto, e vem-lhe uma enxurrada de censuras e “calma lá”:

- Não é bem assim, devemos entender que isto ou aquilo foi feito pelo bem…

…Pelo bem dos nossos mandamentos pequeno-conservadores, digo eu. Isso é a província, onde os jornalecos, qual lobos matreiros, são sedentos por saber dos seus próximos patrocinadores, e sedentários no mister crítico.

Isto é uma província.

aa, AA, Aa

Existem indivíduos recessivos e indivíduos dominantes. E, sim, existem aqueles intermediários, tal qual nos ensina Mendel.

Os recessivos são particularmente admiráveis, dada sua escassez e raridade. Não se manifestam com facilidade, e são submetidos ao opróbrio na presença dos dominantes. O sujeito recessivo vive com risos pequenos no canto da boca, olha com desdém para cantos desinteressantes e concorda discordando das manifestações dominantes.

Ora, o dominante. Trata-se do cara espalhafatoso, impositor e efusivo. Não, geralmente não tem razão, ou quando tem deixa de ter pelo modo que a impõe. O mancebo dominante grita e ri com dedo em riste, e sonega tudo que não se volta a si.

Já o intermediário é um e outro em dependendo da ocasião. Um maria-vai-com-as-outras. Uma puta.

O anti-social

O anti-social

Perdoem-me, mas diálogos são relações complexas. A incompreensão disto gera conflitos desagradáveis, levando sempre uma das partes a ver o outro como um inconveniente: o verdadeiro anti-social.

Lá está você sentado a esperar a chegada de seu vôo, quando um pulha diz o quanto está frio, que mulheres só querem saber de gastar e que não é fácil criar filhos. E começa a fazer um estudo de banalidades, dissecando as coisas com a (i)lógica genérica da massa. Sim, dizemos com a cabeça e com palavras estéreis – “pois é”, “exatamente”, “oh, sim”…

De quando em quando você, o intolerante, olha para a boca e os dentes do pirata, certamente amarelos e mal cuidados, e sente algo como uma ojeriza. Os sapatos rotos, a coluna encurvada, a barriga com certa saliência lipídica: tudo indica o quão trivial é o indivíduo.

Nesse instante, o cheiro do desinfetante do banheiro é mais atraente, ou mesmo sair para repetir a dose de café. Tudo para subtrair-se ao – verdadeiro – anti-social.

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"Considero a crueldade e o assassínio em massa coisas más e desejava que todos concordassem com a minha opinião. Isto não evita que outros desejam tanto a crueldade como o assassínio em massa, tal como demonstra o procedimento de todos os que ocupam posições de mando e da maioria da humanidade."
Bertrand Russel