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Brincar o golzinho

Lembro-me do tempo em que ficávamos a brincar o golzinho aqui na rua. Dois ou três na linha; às vezes, para não ficar alguém de fora, quatro. Tinha aquilo de dois contra três, ou três contra quatro: a depender da presença ou não de alguém que era “bom”. “João é bom, já que tem sete, ficam dois com João e nós quatro formamos o outro time”. Tudo certo.

Cada trave eram duas pedras de paralelepípedos, ou, vá lá, duas sandálias. Um, dois, três passos entre uma pedra e outra – os marotos eram dados a afastamentos maiores na trave do time adversário. A bola saía justamente no meio-fio, que servia-se de linha lateral.

Hoje, os paralelepípedos estão sobrando amontoados, e não são mais que pedras. As ruas são vias de transporte. Nada além.

Diz-me mamãe que em antigamente se enaltecia os gordinhos. “Fat”, em inglês.

Os esguios – coitados – eram tidos por desnutridos, ausentes dalguma essência digna. Até se chegava a cogitar que possuíra uma mãe de leite fraco.

Curioso.

Hoje, a não ser que se tenha como profissão a política, ser magro é mais respeitável. Mas a gordura ainda persiste nos melhores pratos.

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"No Museu Dos Vencidos estão reunidos todos os papeizinhos com os discursos de agradecimento não lidos pelos perdedores de todos os prêmios."
Michel Melamed