Brincar o golzinho
Lembro-me do tempo em que ficávamos a brincar o golzinho aqui na rua. Dois ou três na linha; às vezes, para não ficar alguém de fora, quatro. Tinha aquilo de dois contra três, ou três contra quatro: a depender da presença ou não de alguém que era “bom”. “João é bom, já que tem sete, ficam dois com João e nós quatro formamos o outro time”. Tudo certo.
Cada trave eram duas pedras de paralelepípedos, ou, vá lá, duas sandálias. Um, dois, três passos entre uma pedra e outra – os marotos eram dados a afastamentos maiores na trave do time adversário. A bola saía justamente no meio-fio, que servia-se de linha lateral.
Hoje, os paralelepípedos estão sobrando amontoados, e não são mais que pedras. As ruas são vias de transporte. Nada além.






