
Tenho me eximido de comentar fatos ordinários por aqui, uma medida para atentar contra a rotina e a audiência (oh, que desculpas para a incompetência!). Mas tal é o incômodo com nosso futebol que, vá lá, não é mal deixar por aqui alguns pitacos.
Antes, digo ser admirador dos que sociologicamente galhofam do povo brasiliano por estarem em tempos de Copa assim, tão desnorteados. “O ópio do povo”, “não nos importa o que é de se importar” e conclusões parecidas pipocam por aí, dignas de sincero respeito por parte deste alienado contribuinte das empresas que lucram com o football.
Mas, indo ao ponto, o que nos foi em África do Sul? O argumento primeiro é a convocação: Ronaldinho Gaúcho, Neimar, Ganso. Fosse eu o técnico, estariam lá os três, notadamente o primeiro e o último, criadores da necessária patacoada em campo, opções à altura e até maiores ao branquelo Kaká. Uhn… Diego Tardelli também viajaria comigo.
Mas com os que lá estavam não era impossível conseguir algo mais. Faltara vontade, fome de bola, essas coisas que dizem sempre faltar ao futebol brasileiro perdedor. “Formamos um grupo”, disse o Dunga – que extirpou de minha memória o saudoso anãozinho da Branca de Neve, pondo-se no lugar, enfezado, pedante e (pior!) perdedor. Se o encontro, digo que minhas professoras primárias sempre formaram grupos nas escolas em que estudei, todos eles péssimos em questão de bola.
Em verdade, eis o principal problema dos canarinhos. A tropa se espelhou no comandante. O ato desastrado do Felipe Melo, pré-anunciado e repetido na própria Copa, não obteve a rechaça do comandante, que parece ter propagado seu espírito belicista no grupo. Reclamações, xingamentos, vinganças e outros expedientes similares foram a característica do “grupo”.
Nosso técnico forjou uma milícia, e esqueceu-se de forjar um time de futebol.