ago 11, 2008
A diferença entre um bando de leigos inventando um entendimento e um bando de leigos assumindo o desentendimento é que o primeiro bando pensa não ser leigo, ou, quando pensa, percebe-se perante o abismo de sua própria ignorância – por isso é dado a criar entendimentos.
ago 10, 2008
Já me dispus a integrar o grupo dos playboys. Sim, afinal, eles são o tipo que as mulheres gostam – estúpidos, geneticamente perfeitos para defender a prole e dotados dum senso de humor sórdido, propõe-lhes diversõezinhas que se afastam do enfado (as mulheres odeiam o enfado). Não tive sucesso, pelo que se percebe. Odeio academias de musculação, e, definitivamente, sou um sujeito enfadonho.
Eis que fui recrutado pelo grupo dos intelectuais, que, na verdade, não é um grupo. Ser intelectual exige certo preparo para a solidão e para o tédio – daí a exclusão do sentido coletivo para a intelectualidade. Quando vemos dois ou mais intelectuais juntos, estão tomando café, bebida que não se brinda, e discordando entre si em torno de alguma questão tida como superior. Ao contrário dos playboys, que sempre concordam quanto às mulheres gostosas existentes numa festa animada por Ivete Sangalo.
ago 7, 2008
Às vezes, como disse Neruda, cansa-me ser homem. Tirando o tempo do sono diário, deveria nos ser reservado umas duas ou três horas de pedra.
ago 5, 2008
E aí? Uma casinha num rincão, ouvindo o gorjeio dos pássaros, ou um apartamento regado ao som dos carros da avenida mais próxima? A primeira, uma quimera impotente, o segundo, um incômodo ambicioso.
ago 4, 2008
Num debate filosófico com o filósofo Leonardo Bernardes, cheguei à seguinte conclusão: “há uma contrapartida relativamente cômoda para os ‘alijados’ do poder: o exercício de sua preguiça.”. Outrora cria que apenas “o conjunto de mecanismos já estabelecidos para manter o status atual das coisas: indivíduos dóceis, adestrados” é que se devia relevar. Toda essa alteração na avaliação da alienação se deve aos argumentos do filósofo, melhor explanados aqui e aqui. Leia-se:
“os indivíduos dóceis, domesticados, não são produtos da ação opressora do poder. A feição do poder nos dias de hoje não é a de um agente opressor, mas de um sedutor. Ele se define não pela imposição de barreiras e contingenciamento — e não se limita ao Estado — que entravam o status dos indivíduos na sociedade mas por criar uma organização de tal sorte que os indivíduos são aliciados por uma condição de conivência na qual são co-agentes.
Não é de hoje que o poder é analisado nesse aspecto aliciador. Veja por exemplo a “servidão voluntária” de La Boetié, como é possível que massas inteiras se subordinem a um único homem (ou poucos deles)? Nunca pensou que houvesse mais do que força empregada nesse domínio?” – Leonardo Bernardes
ago 4, 2008
Em desconforme com poetas gregos e psicólogos troianos, a solidão me faz um bem terrível.
ago 2, 2008
Sim, sim… Este blog não deveria estar medíocre como está. Perdoem-me os entusiastas da renovação, mas tempo e disposição são variáveis que ainda não sei controlar…
jul 31, 2008
O trabalho e os estudos me sugam tanto, que sequer tenho me dedicado aos prazeres da carne. Nada de vinho, menos ainda de mulheres, pouquíssimo de sono e descanso. O grande problema disso tudo é que estou gostando desse estado de coisas.
jul 28, 2008
A escola, nesse último ano que me resta, começa a dar prazer. Claro, não suficientemente ao ponto d’eu preferí-la ao meu gabinete, mas a fase quase-prática empolga os estudos das realidades a serem enfrentadas depois da formatura. Livros, monografias, aulas, artigos e teses relacionados ao meu ofício me interessam sobremaneira – e é na escola que encontro-os mais facilmente.
jul 27, 2008
Tenho certa vocação para a misantropia. Muitas vezes sou social e politicamente desastrado – quando não o sou, é porque utilizei de algum recurso vil, a falácia e a verborragia, por exemplo.
Comungo da máxima machadiana:
“A solidão e o silêncio são asas robustas para os surtos do espírito“
Meu gabinete, meu Personal Computer, meus livros e papéis, e, obviamente, minha chávena de café é que me fazem sublime, confortável.
jul 24, 2008
O vaidoso é um maníaco que compulsivamente vive a catar pedras brutas e cacos para construir um monumento a si mesmo. Ignora a impossibilidade de se criar tal obra com tão rudes e imperfeitas matérias-primas. Sem aceitar a fealdade do ideal de si, senta-se frente aos escombros que edificou, e, descompreendido, regozija-se em contemplação.
jul 21, 2008
Após as férias, onde, feito um gato de madame, sempre me acostumo ao sono de oito ou nove horas por dia (às vezes um pouco mais), fico num cansaço insuportável. Os olhos ardem à frente do computador, os pés doem com qualquer calçado que não as formidáveis sandálias de dedo, as costas exasperam-se enquanto não lhes ofereço uma superfície acolchoada. Enfim, demora algumas semanas até o corpo entender a velocidade de 4 horas de sono por dia.
jul 19, 2008
Ainda tenho a capacidade de me indignar própria dos adolescentes, mas talvez não o furor que lhes é peculiar na maneira de expressar essa mesma indignação. Em virtude duma preguiça acompanhada de sensatez e cansaço, pouco a pouco vai-se mudando as maneiras de protestar – a isso uns chamam de postura adulta, outros, de covardia.
jul 19, 2008
Não vou me ater a explicar o que é cada seção ou recurso deste blog. Deixo à curiosidade e à criatividade do leitor a exploração deste espaço.
jul 19, 2008
Este é um blog melhor acabado do que os outros que já possuí ou possuo. Criado na plataforma WordPress, após alguma resistência bloggeriana, ainda não se fez entender por completo para mim – de maneira que o leitor não deve se surpreender com qualquer turbulência ou falha na prestação do serviço. Consegui importar todos os posts do outro blog, não obstante ter abandonado por lá os comentários. Para dar um exemplo de minha imperícia por aqui, vejam os arquivos deste blog, que ainda não consegui organizar por categorias. Mas aos poucos arrumamos as coisas…
jul 19, 2008
Finalmente. Depois de milhares de edições, (re)inauguro o Café do Dom. Certamente já perdi muitos dos leitores que outrora me visitavam, por inércia e desatualização. Mas a vida é assim, quando nos dá o queijo, esconde a faca. Como quer que seja, estão iniciados os trabalhos.
jun 20, 2008
Vai chegando o tempo em que o Café do Dom tornar-se-á digno dum leitor…
jun 15, 2008
Os tempos juninos são os que mais me agradam. Com o inverno chega a estabilidade do corpo, os átomos estão mais quietos, o suor é estancado. É hora de desagasalhar os agasalhos do guarda-roupas, e ostentar roupas neutras, elegantes, compostas.
Do meu gabinete, inda em bagunça dos dias de trabalho corridos e quentes, pretendo o cultivo intelectual, a leitura, a reflexão. Apenas uma semana para a chegada das férias, do frio, da fumaça e forró.
jun 10, 2008
Se algum infeliz ainda pisa os olhos nesse inóspito blog, que tenha ainda alguma paciência. O trabalho me suga, mas o Café do Dom regenerar-se-á.